sexta-feira, 25 de abril de 2014

Opinando sobre tudo !


              

                   Ontem cheguei em casa e consegui assistir um pouco do programa do Datena. É divertidíssimo. Há muito tempo eu não o assistia e não lembrava como era bom. Ele faz na TV mais ou menos o que fazemos aqui neste blog, opina sobre todos os assuntos sem nenhum embasamento como se soubesse o que está falando. A diferença é que ele ganha uma fortuna para fazer isso. É sensacional. Lembrei-me de duas coberturas do Datena que realmente me marcaram. Uma de quando caiu um avião da TAM, em que ele deu uma verdadeira “aula” sobre aeronaves, e outra quando morreu o jogador Serginho do São Caetano de infarto no meio de um jogo, em que Datena provou ser um verdadeiro especialista em cardiologia.
             Inspirado pelo grande meste, resolvi fazer um verdadeiro experimento datenesco. Tentarei comentar e opinar, com a menor quantidade de caracteres possível, as notícias mais lidas de um conglomerado qualquer, entendendo ou não do assunto. Como esta opinião tem que ser a mais rasa possível, a regra que criei, baseada em nada, é que só posso ler apenas a manchete, não clicarei em nenhuma notícia, e mesmo assim tenho que opinar a respeito. O conglomerado que escolhi divide suas notícias mais lidas em 3 tópicos. Começaremos  pelo assunto mais importante, celebridades e famosos, passando em seguida para esporte e, finalmente, chegando no assunto mais irrelevante, política e atualidades... Vamos lá !

Celebridades:
   1 - Estilista Roberto Cavalli curte praia em Miami com a namorada em ótima forma; veja fotos – Ele é um velho rico e ela uma jovem bonita. O amor é lindo!
   2 - Sexo por trabalho? Veja as famosas que disseram ter sido vítimas do 'teste do sofá' – Aposto que nenhuma das entrevistadas assumiu que fez o teste, apenas conhecem alguém que tenha feito.
   3 -  Luciano emagrece 20 quilos, oito meses após ser internado com problemas de saúde – Gostei do filme dele e do irmão. Embora tenha ficado claro pelo filme que o Luciano não teve importância nenhuma na dupla.
   4 -  Após várias cirurgias, 'Barbie humana' chama atenção pela cintura finíssima – Sabia que se investe 10 vezes mais em novas cirurgias plásticas do que na cura do câncer? Isto mostra o quão bizarro somos como sociedade.
   5 -  'Em Família': Giselle leva susto e é assaltada durante passeio pelo Rio de Janeiro – As novelas do Manoel Carlos são chatíssimas.

Esportes:
   1 - Felipão confirma oito convocados para Copa do Mundo; veja os nomes dos garantidos – Surpresa seria se ele anunciasse que o Adriano Imperador vai a copa.
   2 -Após derrota na Colômbia, Paulo Autuori deixa comando do Atlético-MG – Finalmente! Quem sabe ainda dá tempo de salvar.
   3 - Horas após saída de Autuori, Galo age rápido e acerta contratação de Levir Culpi – é, não vai dar pra salvar.
   4 - Aposentada, Joanna Maranhão deve R$ 400 mil e engatinha como técnica – Tá devendo bastante hein?
   5- Zé Roberto revela acerto de contas e sela a paz com Bernardinho: 'Passou' – Vôlei é o esporte mais chato do universo

Política e Atualidades:
    1 - Regina Casé se despede de dançarino do 'Esquenta' morto no Rio de Janeiro  - Mais um caso de tragédia policial. -  Isto mostra o quanto ainda somos um país autoritário.
   2 - O sangue de uma supercentenária dá pistas de por que morremos – Sério que alguém leu essa? Morremos porque temos que morrer, somos passageiros e insignificantes para o mundo, não deveríamos levar nossa existência tão a sério.
    3 –  Policial é operado após algemar e matar namorada de 21 anos em rua do PR – Deixem-no morrer. É impressão minha ou está crescendo em número estes casos de tragédias passionais?
   4 - Rancho no Maranhão é primeiro espaço 'gay friendly' do Brasil – Legal! A sociedade evolui. Se você é homofóbico, saiba que um dia você terá vergonha disso.
   5 - Protesto após enterro de dançarino fecha vias e comércio de Copacabana. Sou a favor de todos os protestos. Ainda mais quando são justos.

É legal isso! Incentivo todos a opinarem. Conhecimento e embasamento são detalhes insignificantes. Estes são os assuntos que mais interessam aos internautas brasileiros. Famosos, futebol e violência. Nada sobre política, nada sobre o mundo. A notícia "perfeita" seria, portanto, "Neymar e Bruna Marquezine são assaltados na Barra da Tijuca".
E ainda achamos que o nosso maior problema são os políticos...

quarta-feira, 23 de abril de 2014

DITADURA NAZISTA DA MINORIA BURRA


 
O Tribunal Superior Eleitoral criou neste ano de eleições a campanha #vempraurna que, entre outros públicos, é endereçada às mulheres no nosso país.
Como de costume, primeiro me explico e depois desço a lenha. São louváveis os esforços para aumentar a participação feminina na política com o objetivo de corrigir erros históricos e machistas. As mulheres entraram na política somente em 1932 e além das ditaduras – como todos os brasileiros – tiveram que enfrentar aquele certo ar machista que não as deixava conquistar cargos importantes, quanto mais a maioria no Congresso Nacional.

Não vou ficar descrevendo a propaganda. Assista abaixo, reflita, tire conclusões e veja as minhas.
PROPAGANDA - TSE

Essa propaganda é absurdamente antidemocrática. O Congresso Nacional ajudou a corrigir erros históricos quando obrigou que os partidos políticos preenchessem suas chapas com no mínimo de 30% e no máximo de 70% de candidatos de cada sexo (Lei 9504/97). Essa lei, apesar de não citar especificamente a mulher, foi criada para que os partidos fossem obrigados a ter ao menos 30% delas em seus quadros.

Segundo a propaganda, as mulheres são maioria da população e têm maior escolaridade. Se a participação feminina no Congresso é de apenas 9% onde está o problema, segundo o TSE? Claro, mulheres não estão votando nas mulheres!!! #vempraurna... “Até quando vamos deixar que eles falem por nós?”.

Apenas 9% de mulheres no Congresso não reflete machismo, reflete a democracia. Como pode existir machismo em um país que reserva cotas para as mulheres, tem o número de candidatas suficientes para preencher todos os cargos políticos, um país em que as mulheres são maioria e têm mais escolaridade? Estamos vivendo, então, o domínio da minoria burra?
Hoje não existe espaço para machismo na política. O voto é obrigatório, secreto e todas as mulheres votam. Nenhuma mulher brasileira tem necessidade ou obrigatoriedade de votar em homem. Naquele pequeno espaço, de frente com a urna, todos são iguais e fazem a sua escolha sem que ninguém possa ou precise saber.

Por que guerra dos sexos se somos todos brasileiros com as mesmas necessidades? O Brasil é um país relativamente novo, em constante evolução e a política é como economia de mercado: com o tempo as coisas se ajeitam sozinhas. Claro que a participação feminina crescerá, mas pela democracia e não pela guerra dos sexos ou qualquer interesse político subjetivo. Eu acredito, em boa parte, no TSE e justamente por isso não quero nem pensar que essa campanha tem finalidade indireta de apoiar uma candidata à presidência. Afinal, se as mulheres quiserem, Dilminha é reeleita no primeiro turno.
Corrigir erros históricos é diferente de levantar uma bandeira para que “brotem” mais mulheres no Congresso. A correção necessária já foi feita, agora deixem que homens e mulheres façam suas escolhas e assistam em paz a maravilha que é o processo democrático.

Luzes da Ribalta


           
             Luzes da Ribalta (1952) é o último filme de Charlie Chaplin. Trata-se de uma história autobiográfica sobre um palhaço decadente, que não encontra mais seu lugar no mundo, engolido por uma nova geração interessada em outro tipo de arte e humor. Impossível, para mim, lembrar deste filme sem compará-lo às situações vividas por Chico Anysio e Renato Aragão. O que está em discussão não é a qualidade artística dos três, mas a forma como suas artes sucumbiram ao tempo. O primeiro morreu no ostracismo, o segundo segue este caminho. A forma como os três perderam popularidade com a idade e com as transformações do gosto do público ligam as 3 histórias. Chaplin foi vítima do cinema falado; Aragão e Anysio, vítimas da internet e da TV a cabo.
                A sociedade mudou. O humor na televisão brasileira mudou. É inevitável lutar contra isso. Renato e Chico foram criados para um tipo de humor de um país diferente, em que as pessoas viviam em sua maior parte no interior, isoladas e com pouco acesso à informação. Quase todos os humoristas daquela época começaram num tipo de ambiente que hoje é quase inexistente, o circo. Hoje, num país em que a maioria das pessoas é de classe média e vive em cidades, com acesso a informações vindas do mundo inteiro, o começo vem nos stand ups, não à toa um nome em inglês. A chamada opinião pública, outrora formada em maior parte por pessoas simples de cidades interioranas que buscavam um humor em certa medida inocente, hoje é composta por uma classe média que vive em grandes cidades, pessoas competitivas e hierarquizadas que procuram um humor que registre sua forma de enxergar o mundo. A Praça é Nossa não tem a menor graça para quem assiste Pânico. Sem juízo de valor, isto é fato.
                Uma coisa une estas duas gerações do humor brasileiro: a existência de um “escada”. Há alguém que se dá bem e alguém que se dá mal nas esquetes, quase sempre. Alguém humilhando e enganando, outro humilhado e enganado. Renato Aragão, por exemplo, tinha Dedé Santana para preparar suas piadas. A diferença é que, na geração dos realities shows, este escada hoje é quase sempre uma pessoa real e não um personagem. Alguém que se sujeite, conscientemente ou não, a ser humilhado em praça pública para deleite do “admirável público”. Poucas coisas divertem mais essa geração competitiva do que alguém sofrendo bullying, isto faz com que se sintam pessoas melhores do que aquele alvo de chacota.  Sentem-se menos feios ao ver um feio de verdade sendo zoado, sentem-se menos pobre ao ver um pobre sendo zoado. Ser melhor do que alguém, este é o lema não só do humor, mas de tudo.  O novo humor apenas reflete isso. Mais uma vez, sem juízo de valor.
                Uma coisa separa as duas gerações: o limite. A antiga é composta por pessoas vindas de um país pobre, ou seja, a vida lhes impôs limite, como a fome e a pobreza. Quem passou por limitações sabe que tudo tem limites. A nova geração, filha de pais que forneceram tudo, não conhece esta palavra e, por isso, acha que seu humor é uma arte que não deve sofrer com nenhum tipo de regra, seja de si mesmo, seja da sociedade.
                Renato Aragão e Chico Anysio passaram boa parte da vida sendo tratados como gênios. Nada deve ser mais triste para pessoas como eles, que se acostumaram com este tratamento, perceberem que no fundo eram apenas um produto, consumido e descartado quando não mais interessante. É muito ruim contar uma piada que ninguém mais ri.
                Eduardo Sterblitch é um dos grandes nomes do humor atual. Trabalha no Pânico e possui um quadro chamado Poderoso Castiga, em que recebe subcelebridades e começa a humilhá-las. Estas vão ao quadro para serem achincalhadas de forma voluntária. Na sociedade do espetáculo, vale tudo para esticar em alguns segundos os 15 minutos de fama. Em entrevista a Jô Soares, foi chamado pelo apresentador de gênio. Jô entende muito mais de humor do que eu. Cada geração tem o gênio que merece e que a representa. 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Os estaduais não são chatos. Os torcedores são.



                Em 17/06/1992, o São Paulo enfrentou o Newell’s Old Boys na final da Libertadores no estádio do Morumbi. O público foi de 105.185 pessoas e o jogo foi transmitido pela TV Gazeta. Seis meses depois, o mesmo SP enfrentaria o Palmeiras na final do hoje chamado “Paulistinha”. O público foi de 110.887 e o jogo foi transmitido por Globo e Bandeirantes. De lá para cá, aconteceu uma coisa que acabou com o interesse pelos estaduais e que tornou o futebol brasileiro esta coisa chata que é hoje: A TV a cabo.
                Tornamo-nos pessoas que se julgam “globais”. Temos mais acesso a coisas que acontecem em Londres ou Nova York do que a coisas que acontecem no interior do Brasil. Passamos a enxergar nossa realidade como sendo a destes locais e não de coisas que acontecem muito mais próximas a nós.  Isto para mim é muito claro no humor. Essa nova geração de stand up tem como referência Seinfeld, e não Chico Anysio.
Falando de futebol, temos uma geração hoje que já passou parte da adolescência assistindo campeonatos estrangeiros na TV e que nunca foi a um estádio. São pessoas que se identificam mais com Manchester United e Barcelona do que com times do interior do Estado. Mais do que isso, passamos a ter jornalistas, os grandes formadores de opinião, que começaram a frequentar jogos na Europa com mais frequência, tendo mais vivência no Santiago Bernabéu do que no Moisés Lucarelli. Público e formadores de opinião, portanto, vivem hojen essa realidade,  criada pela televisão a cabo. Ela moldou um público e hoje atende ao seu interesse.
Por influência familiar ainda temos um time, mas não nos interessa mais que eles sejam apenas locais. Queremos que eles ganhem o mundo e façam parte, nem que apenas na nossa cabeça, daquela nova realidade europeia a que nos acostumamos e falsamente vivemos. Ganhar do Palmeiras não basta mais ao torcedor do Corinthians, o sonho realizado foi vê-lo ganhar do Chelsea.
Aos poucos o futebol brasileiro está se “adaptando” a esta nova realidade imposta por um público europeu. O mata-mata foi pro saco, dando lugar a um chatíssimo campeonato por pontos corridos, em que o melhor sempre ganha. A próxima vítima é o campeonato estadual. Fodam-se os times do interior, eles não nos interessam mais. É perda de tempo e dinheiro viajar para as cidades próximas do estado, quando deveríamos nos esforçar para buscar uma aproximação com os clubes europeus. Quem nunca ouviu que Flamengo e Corinthians, com boa gestão, poderiam ser o Real Madrid e o Barcelona? Pois eu ainda prefiro que eles sejam Flamengo e Corinthians.
Gosto muito de programas de debates esportivos da TV a cabo, principalmente aqueles com jornalistas mais velhos. Gosto muito de ver gente que se julga séria falando de um assunto como futebol como se fosse a coisa mais importante do mundo. O meu “favorito” é um que passa de manhã que mistura futebol com o que há de mais chato na MPB. Gosto mais ainda quando o termo especialista é usado e quando eles ficam horas esperando um jogador dar uma entrevista dizendo que agradece a Deus e aos companheiros. Divirto-me também quando eles falam que tudo tem que mudar, que temos que acabar com os estaduais, que eles não têm mais interesse algum do grande público, e que temos que acabar com o mata-mata, ele não é justo. No mesmo programa, eles lembram saudosistas como o futebol era legal até os anos 80. Ninguém questiona o paradoxo de ser contra estaduais e sentir saudade da época em que estes eram os campeonatos mais importantes do país e em que todos os campeonatos eram decididos por em sistema de mata-mata.
Tive uma conversa sobre este assunto com uma pessoa que disse que o mundo mudou e que temos que nos adaptar a esta nova realidade. Se for isso mesmo, que pena... O mundo está mais chato. A minha mensagem àqueles que ficam em casa aos domingos para assistir campeonato inglês seria: Desligue a TV e vá ao estádio! E viva o Ituano !

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Roberto Justus e o funk ostentação



                Roberto Justus é um homem de sucesso. A foto acima mostra o porquê. Contemple-o no ápice de sua riqueza. Filho de um engenheiro que fugiu da pobreza na Europa, chegou à terceira idade com uma mulher gostosa, uns 30 anos mais nova, um relógio no pulso, mesmo estando ao lado de uma piscina, uma roupa de marca. Junte a isso a bebida que pisca e um pouquinho de inveja e teríamos o rei dos camarotes. MC Guimê é um homem de sucesso. Filho de um ajudante de eletricista, enriqueceu graças ao seu trabalho na música e é possivelmente o nome mais famoso do mais controverso e importante movimento musical do Brasil no momento, o funk ostentação. Quer entender a nossa sociedade, olhe para Justus e para Guimê. Ambos representam a mesma coisa.
                Roberto Justus é publicitário. Talvez o mais importante do país. Ele e seus colegas têm como missão vender produtos. Sua tática mais comum é ligar o consumo de produtos a sucesso, mercadorias a sonhos e realizações. Compre a pasta de dente A e uma mulher linda vai beijar sua boca. Compre o carro B e uma mulher linda vai beijar sua boca. Compre a cerveja C e uma mulher linda vai beijar sua boca. Deu certo. A publicidade nos convenceu que não somos pessoas, somos consumidores. Pessoas pensam, consumidores compram. Pessoas refletem, consumidores seguem instintos. A publicidade é a mãe do funk ostentação. Numa sociedade composta quase que exclusivamente por consumidores, nada mais sensato que o consumo dos melhores produtos signifique sucesso.
                Roberto Justus tem um programa de televisão. Neste, algumas pessoas se sujeitam a situações embaraçosas e humilhantes por causa de um emprego. Mais ou menos como nós no nosso dia-a-dia. Um é contratado, os outros são demitidos sumariamente. A identificação do público, formado quase que exclusivamente por pessoas que assim como os aprendizes são achincalhadas por um chefe quase que diariamente não é com os seus iguais, mas sim com Justus. Todos querem ser Justus. Os concorrentes do programa deixam bem claro que o sonho é ser Justus. A publicidade faz com que busquemos identificação com o sucesso e nos recusemos a aceitar o fracasso. O sucesso é a riqueza, o poder, mas acima de tudo, o consumo.
                Roberto Justus é respeitado e foi escolhida a segunda personalidade mais influente para os jovens brasileiros em 2012, atrás apenas de Eike Batista. Deve estar em primeiro agora, uma vez que Eike deixou de ser sinônimo de sucesso. MC Guimê não é tão respeitado ainda. É mais difícil vender alguém de origem humilde e tatuado como ele, mas nada que um bom trabalho de publicidade e uma ida ao programa do Luciano Huck não resolva. Enxergar Justus e Guimê como duas coisas é sinal de falta de reflexão. Mas consumidor não reflete, consumidor compra. O que os diferencia é a aparência. O desenvolvimento da publicidade nos converteu em “consumidores-produtos”. O Facebook e a exposição da felicidade que o diga. O produto Justus ainda é mais valioso do que o produto Guimê. Como eu disse, nada que a publicidade não resolva.
                Roberto Justus e MC Guimê representam exatamente a mesma coisa. Enriqueceram ligando felicidade a consumo. Os publicitários acreditam que têm a profissão mais importante do mundo. Estão certos. Na sociedade dos consumidores, ninguém é mais importante do que o cara que nos convence a comprar. Tenho amigos publicitários que sempre perguntam, ao defender a importância de sua profissão, “como seria o mundo sem a publicidade?”. Minha resposta é “um mundo melhor”.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Observações sobre o regime de 1º de abril de 1964







1 ) O golpe foi em 1º de abril, dia da mentira, e não em 31 de março;
2 ) Quase todo órgão da grande mídia apoiou o movimento. Todos deveriam sair com um edital hoje pedindo desculpas, ao invés de simplesmente contar como sofreram com a censura;
3 ) Chamar o golpe de simplesmente militar é esquecer a enorme quantidade de civis que participaram da conspiração. Não vejo quase ninguém citando que JK ou Ulysses Guimarães foram adeptos da ação militar;
4 ) João Goulart não era um ditador comunista, era um líder democraticamente eleito. O golpe de 64 não impediu que o Brasil se tornasse uma ditadura comunista, impediu sim que o Brasil se mantivesse como uma democracia;
5 ) A corrupção durante a ditadura foi tão grande ou até maior do que a que vemos hoje. Basta dizer que Paulo Maluf foi indicado para Prefeito e Governador de SP neste período e que José Sarney era o líder da Arena ( Partido dos Militares ) no fim do mandato;
6 ) A ditadura foi extremamente ineficaz do ponto de vista técnico. Manteve-se a opção pelas grandes rodovias ao invés de investir-se em ferrovias. A pior obra viária da história do país, a Transamazônica, foi feita no período e quase todos os grandes estádios da maior parte do país foram construídos durante o regime ( e sem uma Copa do Mundo para justificar );
7 ) Agressões cometidas pelo Estado brasileiro, em qualquer período, devem ser indenizadas pelo Estado brasileiro;
8 ) Criticar a ditadura brasileira e elogiar outras ditaduras é no tanto paradoxal. Nenhuma ideologia justifica tiranias;
9 ) A Lei da Anistia não significa que não devamos procurar descobrir o que realmente aconteceu. Questões como as razões da morte de João Goulart são fundamentais para a história do país;
10 ) Ter sido contra a ditadura não torna alguém necessariamente uma boa pessoa;
11 ) A ditadura acabou há 30 anos. Hora de seguir em frente.

Fonte da figura que ilustra o texto: www.pirikart.com.br - Autor: Adriano Kitani

quinta-feira, 20 de março de 2014

A Banalidade do Mal e o invidualismo





                Em 1960, o carrasco nazista Adolf Eichmann foi capturado por forças israelenses em Buenos Aires e levado secretamente para ser julgado por seus crimes de guerra em Jerusalém. Dois anos depois, num julgamento – espetáculo, seria condenado à morte e menos de um ano depois a filosofa alemã e judia Hannah Arendt lançaria um dos mais importantes ensaios sobre o Holocausto, Eichmann em Jerusalém.
                No livro, ela surpreende ao apresentar o monstro nazista como um cidadão comum, incapaz de refletir sobre seus atos. Alguém que simplesmente cumpria suas ordens, um burocrata incapaz de discernir sobre o que é certo e o que é errado. Mais do que isso, ela nos faz pensar como a maioria das pessoas que conhecemos agiria da mesma forma que Eichmann, como somos treinados a aceitar o argumento “alguém me mandou fazer” como sendo algo superior a qualquer tipo de moral que tenhamos. A isso ela chama de Banalidade do Mal, à incapacidade do cidadão comum de refletir sobre o que está fazendo.
            Esta banalidade, a meu ver, anda lado a lado com o aumento do individualismo em nossa sociedade. As pessoas se tornam progressivamente incapazes de enxergar a existência do outro, sendo também incapazes de sentir aquilo que não as impacta diretamente. Certo e errado são termos que são simplesmente adequados às necessidades de satisfação individual, por mais bocós que estas sejam. “Pagar as contas”, “ter uma grana” ou simplesmente consumir algo se tornaram os principais e quase que exclusivos motores de quase todos, que são estimuladas a passar por cima de quaisquer obstáculos para cumprir estas duas metas.
                Numa sociedade tomada por estes dois conceitos, poder e riqueza são as duas coisas mais desejadas. Somos todos manipulados com o sonho de um dia chegar no ápice. Para isto, nada é mais importante do que o exemplo de quem conseguiu. Para cada Neymar existem 1.000 que não deram certo, mas apenas o "sucesso" é comentado. Este topo não é medido pela sua importância para a sociedade, mas pela quantidade de dinheiro e subalternos acumulados. Quem atinge este auge é invejado e vira formador de opinião. Não à toa as revistas brasileiras trazem muito mais vezes na capa o Roberto Justus do que, sei lá, os médicos da alegria. Experiências de vida e solidariedade não interessam...
                Vejo meu facebook e noto o número de palestras de autoajuda que são postadas. Todas elas se baseiam em estímulo ao ego. Você pode ser melhor, você vai conseguir, se você lutar você conseguirá. Quase nenhuma se baseia em qualquer tipo de conquista coletiva. Não conseguimos ter noção de como somos ainda mais supérfluos nos empolgando com este tipo de coisa.
                Muito se discutirá neste ano eleitoral sobre como nossos políticos são ruins, sobre como eles não valorizam o que há de melhor no povo brasileiro. Eu acho o contrário, eles são a cara dos eleitores que os colocaram lá, invidualistas e malvados. Nada mais justo do que pessoas que têm TV a cabo ilegal, compram carteiras de motorista, estacionem em local proibido e passam por cima de colegas de trabalho sejam representadas por políticos corruptos. O maior problema não são eles... Somos nós. Os Eichamanns.

sexta-feira, 14 de março de 2014

DIGNIDADE E RESPEITO JÁ! PARA OS GRINGOS...


 
Agora a digníssima Comissão de Direitos Humanos da Câmara solicitou ao CONAR que determine a retirada da nova propaganda do Guaraná Antártica do ar. Na propaganda o nosso camisa 10, Neymar, ensina os gringos a pedirem guaraná aqui no Brasil. É meio impossível, mas se você nunca viu a propaganda, fique a vontade:
GUARANÁ ANTARTICA - NEYMAR E OS GRINGOS

Imagino que o nosso querido deputado Marcos Rogério (PDT-RO), autor do requerimento, deveria estar juntamente com os seus amiguinhos assistindo TV em Brasília e enxergou “bullying contra estrangeiros” no comercial. Provavelmente após terminar de assistir o TV FAMA, o deputado, no auge de sua contribuição com o país, a sociedade e a cidadania, decidiu requerer a retirada da peça publicitária do ar.
Uma tremenda de uma babaquice enxergar que a propaganda incentiva bullying. Se esse magnífico deputado levar esse pensamento adiante não teremos mais em nosso país a exibição de novelas, filmes, séries... Meu Deus, coitado do Tarantino e a sua alusão ao homicídio e uso de drogas. Eu mesmo assisti Pulp Fiction e tive uma vontade louca de sair por aí cheirando cocaína e matando pessoas por dinheiro. Querido Marcos, vá à merda.

Eu tenho uma boa lista de bullying contra estrangeiros que serão praticados aqui no Brasil durante a Copa. Ver a copa na Arena Amazônia é um puta bullying. Pagar diária de Champs-Élysées em Belo Horizonte é muito bullying. Cuiabá é bullying. Aeroporto de Guarulhos é bullyng. Aeroporto de Brasília é bullying. Aeroporto no Brasil é bullying. Radial Leste é bullying. Taxi é bullying. Arrastão é bullying.

Hoje, como disse Danilo Gentilli, restam 3 meses para a Copa e 8 meses para os estádios ficarem prontos. O nosso país tupiniquim teve 7 anos, fucking seven years, para se preparar para a Copa e o estádio de Curitiba está assim:
 
Nem imagino como estará a infraestrutura tecnológica desses estádios. Será um grande bullying com a imprensa internacional.

Marquinhos Rogério, vá arrumar o que fazer. Vá se preocupar com os reais problemas humanitários do nosso país. Marquinhos diz que a propaganda fere o princípio da dignidade humana, mas o que fere este princípio constitucional é o governo gastar 8 bilhões de reais em estádios e ainda construir elefantes brancos em Brasília, Cuiabá e Manaus. Enquanto isso o povo sofre sem saúde, educação, transporte, saneamento, água e comida.
Essa Comissão de Direitos Humanos da Câmara já deu o que tinha que dar. É mais problema que solução. Um homofóbico na liderança e agora um bando de desocupados preocupados com o bullying contra estrangeiros, enquanto o bullying nacional come solto há 514 anos.

Os outros deputados que assinaram o requerimento são: Erika Kokay (PT-DF), Janete Pietá (PT-SP), Domingos Dutra (SDD-MA), Nilmário Miranda (PT-MG) e, para a tristeza que quem acredita em bom político, Jean Wyllys (Psol-RJ). Não que o Jean seja ou tenha se tornado um mau político, mas deu uma escorregada nessa aí. Legal é ver toda a turminha do PT né? Inclusive o Domingos Dutra, que era do PT até 2013. Essa relação PT, direitos, poder, liberdade e censura é muito complicada para mim.
O Brasil quer muito mais do que pode. Um país que deu errado não pode querer Copa, Olimpíada, cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Primeiro cuide dos nossos, depois pense nos outros.

A cagada mais importante do séc. XX





                Quando Günter Schabowski, o homem da foto, saiu para trabalhar em 09/11/1989, ele não tinha a menor ideia de que entraria para a história naquele dia. Ele era um funcionário público normal na Alemanha Oriental, daqueles que cumprem ordens e não refletem muito sobre o que estão fazendo. Sair de casa, fazer o que mandam e voltar pra casa, essa era sua rotina.
                Os dias estavam tensos na Alemanha comunista naquele período. A onda de transformações nos países comunistas já havia atingido muitos países vizinhos e chegava a terras alemãs. Alguns meses antes, a Tchecoslováquia havia aberto suas fronteiras com a Áustria. Com isso, alemães orientais podiam, através do território tcheco, entrar na Áustria, para em seguida pedir asilo na Alemanha Ocidental. Isto fez com que milhares de alemães orientais pudessem fugir para a Alemanha capitalista sem o risco de tomar tiro pulando o muro de Berlim. Não à toa, ninguém tentou essa travessia depois da liberação tcheca. Mesmo assim, o muro da vergonha ainda estava lá. Além disso, uma onda de protestos atingiu a cidade de Leipzig em outubro, durante as festas de 40 anos do país (uma espécie de baile de despedida dos líderes comunistas europeus). Erich Honecker, líder mais inflexível dos 40 anos da República Democrática da Alemanha, foi deposto no mesmo mês de outubro e, 5 dias antes da cagada de Schabowski, uma grande passeata tomou conta da Alexanderplatz, principal praça de Berlim Oriental, com o objetivo de pedir democracia e liberdade de imprensa.
                O cagão da história, embora tenha participado do protesto da Alexanderplatz, estava alheio a tudo que estava ocorrendo. Assessor de imprensa e porta-voz do governo comunista, Schabowski fez o discurso mais vaiado do dia ao pedir, numa manifestação anti-comunista, que as pessoas se unissem aos camaradas soviéticos. No fatídico 09/11, a ordem dada a Schabowski era que ele desse uma declaração em nome do governo com o intuito básico de enrolar. Ele deveria dizer que um dia a Alemanha Oriental abriria suas fronteiras com a Alemanha vizinha, sem nenhuma menção a quando isto poderia acontecer. Perguntas estavam terminantemente proibidas.
                Schabowski chegou, sentou-se e começou a ler uma carta, em tom claramente cansado e desanimado, para jornalistas desinteressados. Chegou à parte em que disse que o governo iria abrir suas fronteiras com a outra Alemanha e um dos poucos jornalistas atentos, desobedecendo ordens pré-estabelecidas, perguntou: “Quando?”. Günter, sem ter a menor ideia do que responder e meio relapso, disse as primeiras palavras que vieram em sua mente: “acho que imediatamente”. Todos os jornalistas que estavam quase dormindo pularam de suas cadeiras e o autor da pergunta a repetiu. A resposta foi a mesma, com Schabowski claramente não tendo ideia das consequências do que estava fazendo. A declaração deveria ser tão burocrática e desimportante, que nenhum membro do alto escalão do Partido Comunista a estava assistindo e ninguém apareceu para desautorizá-la quando os burburinhos tomaram conta de Berlim Oriental. Schabowski terminou sua declaração, colocou o papel numa mala e foi para casa. Ao mesmo tempo, milhares de berlinenses dos dois lados partiam em direção à fronteira que aparentemente deixava de existir, o muro.
                Quando a notícia do erro de Schabowski chegou à cúpula do governo, milhares de pessoas já se amontoavam na frente do muro, gritando palavras de ordem, numa situação pré-tragédia. A ordem aos guardas de fronteira era atirar em qualquer pessoa que quisesse atravessar, mas como fazer isso em milhares de pessoas? Se não bastasse, o pessoal de trás começava a empurrar quem estava na frente, iniciando um processo que poderia terminar com um número gigantesco de mortos. É aí que aparece o maior ato heroico do dia. Os guardas de uma das portas do muro, vendo o que poderia acontecer, resolvem desobedecer ordens e simplesmente abrem a fronteira, deixando as milhares de pessoas passarem. E assim caía o Muro de Berlim. Onze meses depois, contra a vontade de Inglaterra e França, a Alemanha estava reunificada.
                Após isto, Schabowski ainda tentou, sem sucesso, faturar em cima da sua burrada. Concorreu, sem sucesso, ao cargo de deputado da nova Alemanha. Vive hoje num certo ostracismo, sendo lembrado a cada aniversário da queda do muro para alguma entrevista. Os eventos de 09/11/1989 completarão 25 anos em 2014, muito ouviremos nesta comemoração sobre a importância da ação dos políticos nesse período. Poucos lembrarão que estes mesmos políticos foram incapazes, durante 40 anos, de acabar com a divisão da Alemanha. Foram necessárias, porém, uma cagada de um funcionário público incompetente e preguiçoso e o heroísmo de guardas que colocaram vidas acima de ordens hierárquicas para que isso acontecesse.
                P.S.: Para quem é nerd como eu, dois vídeos que registram o momento. O primeiro  mostra o anúncio da NBC americana feito logo em seguida à declaração de Schabowski. O segundo mostra, entre 2:00 e 4:00, o exato instante em que os guardas abrem a primeira brecha no muro. Em 6:12, com medo do que pode ocorrer, eles abrem a fronteira de vez.


sexta-feira, 7 de março de 2014

A seleção mais legal dos anos 90






                Córdoba – Herrera – Perea – Mendoza – Pérez – Rincón – Gomez – Alvarez – Valderrama – Asprilla – Valencia. Quando o técnico Francisco Maturana escalou este time para enfrentar a Argentina em Buenos Aires pela última rodada das eliminatórias de 1993, dificilmente ele poderia esperar o que ocorreria nesta partida, e o que viria depois. A Argentina chegava àquele jogo como finalista das duas últimas copas, campeã em 1986 e vice em 1990 e havia passado 3 anos invicta, até a derrota por 2 x 1 para a mesma Colômbia no primeiro turno daquela mesma Eliminatória. Creio que todos sabem que aquele jogo terminou 5 x 0 para a Colômbia, com a torcida argentina aplaudindo os jogadores colombianos. Quando lembro deste time, adicionando 2 jogadores que não estavam nesta partida, o folclórico René Higuita e o mártir Andrés Escobar, tenho mais ou menos a sensação que pessoas 10 anos mais velhas do que eu têm quando lembram do Brasil de 1982.
                Esta equipe começou a ser formada nos anos 80 e seus resultados têm forte ligação com o boom da cocaína nos EUA no final dos anos 70 e 80. Foi daí que surgiu o dinheiro para que o narcotráfico investisse no futebol e formasse dois grandes times no país, o América de Cali e o Nacional de Medellin, cada um representando o cartel de drogas da cidade. Quase todos os jogadores da seleção de 1994 começaram nestes dois times e tinham forte relação de amizade com os traficantes dessas cidades. Fanáticos por futebol, eles investiam fortunas nas equipes, buscando reconhecimento e apoio da população local. E quando digo fortuna, falo de muito, mas muito dinheiro. Pablo Escobar, “dono” do Nacional de Medellin, era uma das 10 pessoas mais ricas do mundo nos anos 80.
Do ponto de vista clubístico, a ascensão colombiana começou já em meados dos anos 80, com o América de Cali sendo vice-campeão da Libertadores em 1985, 1986 e 1987 e com o Nacional sendo campeão deste mesmo torneio em 1989. Neste mesmo ano, a seleção conseguiu se classificar para a Copa do Mundo pela primeira vez desde 1962, arrancando em 1990 um empate heroico da futura campeã Alemanha, num golaço de Freddy Rincón. No jogo seguinte, contra Camarões, aparecia aquela que era, para mim, a mais importante e charmosa característica dessa geração colombiana: a irresponsabilidade. O goleiro René Higuita estava no meio de campo com a bola e tentou driblar o atacante camaronês Roger Milla, na prorrogação ! Isso mesmo, um goleiro tentando driblar um atacante numa prorrogação de jogo eliminatório em Copa do Mundo ! O gol dos africanos que se seguiu a essa jogada selou o fim da aventura colombiana naquela Copa, mas apenas o início do destaque no cenário internacional.
Após a vitória contra a Argentina em 1993, a imprensa mundial começou a colocar a Colômbia como grande favorita para a Copa de 1994. O país, porém, passava por grandes turbulências. No começo dos anos 1990, o governo americano instituiu uma política de combate à produção da cocaína, forçando o governo colombiano a iniciar uma verdadeira caçada aos traficantes do país, que culminou com uma quase guerra civil e com a morte de Pablo Escobar em 1993. O futebol do país perdeu boa parte do seu investimento, uma vez que agora os traficantes tinham que investir seus recursos em outras alçadas. Mais do que isso, os jogadores perderam a sua paz. Com o dinheiro da droga se tornando mais escasso, os traficantes viam na venda de atletas para times europeus uma chance de recuperar as perdas no tráfico de drogas. Ameaças para que estes jogassem bem se tornaram frequentes e a equipe chegou à Copa nos EUA com todo o peso de um país nas costas. A prisão de Higuita, um pouco antes da Copa, é um reflexo disso. Ele brigou com um traficante que armou um sequestro que caiu na culpa do goleiro, que passou mais de 1 ano preso injustamente. É importante lembrar que, apesar do sucesso nos anos 80, os clubes colombianos não aceitavam negociar seus jogadores com a Europa. Isso começou a acontecer apenas com a crise do narcotráfico nos anos 90.
No primeiro jogo da Copa, um choque. Derrota para a sleção da Romênia por 3 x 1. Quase todos os jogadores colombianos sofreram ameaças de morte de seus “donos” antes da partida contra os EUA. Neste jogo, o famoso gol contra de Andrés Escobar, uma nova derrota por 2 x 1 e a eliminação precoce da competição. Creio que todos lembram também o que veio depois:  Uma semana após voltar pra Colômbia, o zagueiro Escobar foi assassinado em condições até hoje esquisitas, todos os jogadores ameaçaram deixar a seleção e o país virou uma vergonha mundial.
Aquela geração ainda disputaria mais uma Copa, em 1998, mas sem dúvida o gol contra e o assassinato de Escobar marcaram o fim trágico de uma geração brilhante. Sem o dinheiro abundante do narcotráfico, o futebol colombiano deixou de revelar jogadores e só voltou a se classificar para a copa agora em 2014. Aquele time tinha tudo: a genialidade de Valderrama e Rincón, a rebeldia de Asprilla, a loucura de Higuita, e ganhou um mártir, símbolo do sofrimento, que foi Andrés Escobar. É um enredo perfeito para um filme, daqueles com final triste.
Para quem se interessa pelo assunto, a ESPN fez um documentário sensacional sobre o tema, chamado “Two Escobars”, comparando a trajetória do traficante Pablo Escobar e do zagueiro Andrés Escobar. Emocionante.