segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A passeata por nada


            

A ligação de Eduardo Cunha com escândalos de corrupção vem de longe. Começou no governo Collor, quando  era o operador de PC Farias na Telerj, continuou pela quase falência do fundo de pensão Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgoto do Rio de Janeiro) no governo Garotinho no RJ, passou a compra de ações superfaturadas pela Furnas, já no governo Lula, chegando finalmente à operação Lava-Jato, em que é um dos nomes mais citados.
Dia 16/08 teremos mais uma passeata contra o governo Dilma Rousseff. Em SP será organizada pelo Movimento “Vem pra Rua”, pedindo a saída da presidente, seja por impeachment ou por renúncia. Os líderes do movimento baterão na tecla da corrupção, mas já afirmaram que pretendem poupar Eduardo Cunha de críticas. Argumentam que ele hoje é personagem importante para conseguir o sonhado afastamento da presidente.
Uma boa parte dos brasileiros é corrupta. Compram-se carteiras de motorista, carteiras de estudante, entrega-se propina a policiais e funcionários públicos, ligam-se pontos de TV a cabo ilegal. A corrupção no dia-a-dia é tão grande que algumas empresas até adequaram seus serviços à pirataria. Ou ninguém estranha que a principal distribuidora de TV a cabo do país tivesse recebido, ao mesmo tempo, milhares de pedidos para redução de pacotes? Ou ninguém estranha a relação direta dos funcionários desta empresa com a pirataria?
Mas hoje eu acredito que o grande símbolo da corrupção do dia-a-dia seja a transmissão de pontos entre carteiras de motorista. Extrapola-se a pontuação permitida e se joga esta pontuação adicional na carteira de alguém. Muitos fazem, divulgam e não se sentem culpados ou intimidados fazê-lo. A revolta é muito maior em relação à quantidade de radares na cidade. Chama-se aquilo de “indústria da multa”. As mesmas pessoas que exigem policiamento e reclamam que as pessoas não cumprem as leis, falam mal destes radares que fiscalizam quem está seguindo as normas. Polícia é legal, desde que não esteja fiscalizando aquilo que eles fazem de errado.
Um número significativo destas pessoas estará na manifestação do dia 16. Vestirá sua camisa da seleção brasileira, pintará seu rosto e tirará selfies. Nem todos os manifestantes dessa passeata terão este perfil, mas uma parte significativa. Boa parte dos slogans será contra a corrupção, mas o foco, como mostrado no segundo parágrafo, não é este, quer-se simplesmente tirar a presidente. O argumento encontrado é a corrupção. Mas se precisarmos de um corrupto para substituí-la, sem problemas.
A rivalidade PT-PSDB destruiu nos últimos anos a capacidade de reflexão do grande público. Os dois lados têm culpa por jogar o nível da conversa no chão. Age-se por impulso e não há disposição para ouvir-se o lado oposto. Quando um lado fala, o outro grita e bate panela. Como uma criança que não quer ouvir o pai. Uma criança mimada.
A classe média, da qual faço parte, é geralmente mimada e individualista. Os últimos 21 anos representaram o período de entrada de muitas pessoas nesta classe. Fomos ensinados e doutrinados a perseguir o sucesso e a vitória. Mais do que isso, fomos doutrinados a “merecer” a glória, de tal forma que esperamos este sucesso como resultado de um esforço. Muitas das pessoas que estarão nesta passeata, vindas da classe média, esforçaram-se para evitar a derrota de Aécio na eleição do ano passado. Fizeram o que puderam. Perderam e junto com a derrota veio a dor de descobrir que nem sempre esforço gera resultado. Pela quarta vez seguida. A revolta gerou o ódio e estes movimentos como o “Vem pra Rua” estão trabalhando para transformar este ódio em algo.
A política econômica do segundo mandato de Dilma é uma tragédia. Reeleita, ela preferiu aplicar o projeto econômico do candidato derrotado. Resolveu enfrentar a crise da pior forma possível, aprofundando-a. As mesmas políticas de austeridade que não geraram nenhum resultado concreto na Europa estão sendo adotadas por aqui. Cortam-se gastos públicos, no entanto a política mais bem-sucedida que se conhece para a saída de uma crise foi adotada pelos EUA nos anos 30, o New Deal, em que se elevaram os gastos públicos. Se o governo não tem recursos para tal, a que se aumentar a arrecadação. Que tal um imposto sobre fortunas?
Um grande mérito da elite econômica brasileira foi embutir na classe média seus valores e princípios. Através da mídia, o imposto se tornou assunto proibido. Somos doutrinados a reclamar dos serviços públicos (que muitas vezes são realmente uma porcaria), mas não refletimos sobre a causa deles serem tão ruins. E o motivo é a desvalorização do público em relação ao individual. É ela que nos levou a buscar serviços privados ao invés de lutar como sociedade pela melhoria dos serviços públicos. Dando um exemplo, o que seria das grandes companhias de seguro de saúde se a saúde pública no Brasil fosse boa? Será que elas financiam congressistas? Como agem os congressistas por elas financiados? Por que a mídia não fala disso?
A classe média age e pensa como a elite que sonha ser. E enxerga como um problema sério quando algo a impede de ter a vida de riquezas e privilégios sonhada. E supervaloriza estes problemas através da mídia. Algumas reportagens de revistas semanais de informação nas últimas semanas comprovam isso. O tema é sempre a crise econômica. Uma das matérias falava sobre o “drama” de uma família que não tinha mais dinheiro para jantar fora no sábado à noite, e por isso estava comprando uma pizza. Outra era sobre uma família que não tinha mais condições de ir ao cinema no mesmo sábado à noite, e por isso teve que assinar o Netflx. No mesmo fim de semana, um grupo de haitianos sofreu um atentado no centro de São Paulo. O espaço para este assunto na mídia foi quase nulo? Por quê? A meu ver, a mídia tem interesses econômicos próprios e os defende. Cada um defende o seu lado, tentando transformar problemas individuais em problemas coletivos e dessa forma mobilizar pessoas.
As indústrias automobilísticas tiveram por anos um lucro irreal bancado dinheiro público, ora por subsídios ora por investimento direto. Este lucro foi por anos usado para bancar bônus milionários para diretores que se julgavam mestres cada competência, quando na verdade geravam empresas que sem o governo iriam a bancarrota. O governo e a sociedade bancaram estes diretores por ano, sem exigir nada como contrapartida. Quando a fonte governamental secou, qual a primeira coisa que foi feita? Demitiu-se. O dinheiro do lucro, que deveria ter sido usado para criar uma reserva para anos futuros, foi todo torrado. Muitos não concordam com a minha visão, mas acredito que uma empresa que recorre a recursos públicos tem certas responsabilidades. O lucro foi usado para premiar uma “boa gestão”. O prejuízo foi justificativa para demitir e culpar o governo. O empresariado brasileiro conseguiu criar a imagem de que a função deles é “criar empregos”. Na realidade, eles não estão nem aí para os empregos que criam. Eles só os criam porque ganham algo. Não acho isso errado, apenas não gosto do argumento de que eles não pensam no individual, e sim no coletivo. E mais do que isso, a incapacidade da sociedade de enxergá-los como parte significativa do problema que enfrentamos.
O Bradesco está muito preocupado com a crise econômica atual. Seus melhores economistas aparecem quase diariamente na televisão falando da gravidade da situação. O lucro do banco, no entanto, subiu 18% em relação ao ano passado. Os questionamentos a isso são inexistentes. O Bradesco lucra apesar ou por causa da crise? Por que cada vez mais bancos estrangeiros deixam o Brasil, como o HSBC neste mês ficando espaço apenas para Bradesco e Itaú? Estes lucros são reais ou são semelhantes àqueles do Pan-Americano? A ausência de questionamentos é simples, o Bradesco é um dos maiores patrocinadores de todos os órgãos da grande mídia. Você arrumaria briga com um cliente?
Os questionamentos são seletivos e graças à doutrina que nos impede de refletir, imperceptíveis. A bola da vez é a Petrobrás. Mas alguém viu algum questionamento sobre a verba de publicidade que a estatal gasta? Por que uma empresa monopolista investe em publicidade? Quanto de dinheiro público é repassado a empresas privadas desta forma?
O principal motivo da oposição à Dilma é financeiro. Pessoas que acreditam que poderiam estar ganhando mais dinheiro do que estão querem mudança. Para isso, estimulam um movimento de “combate” à corrupção sem discuti-la de forma mais complexa. Nossa sociedade é corrupta, nosso governo não tem porque não ser corrupto. Ele é um reflexo perfeito do que somos. As denúncias de corrupção são sérias, mas não há interesse em acabar com ela. Há interesse em usá-la para mover uma massa indisposta a discutir e a pensar. Dilma ainda não tem seu nome diretamente envolvido nos escândalos. Cunha tem. Ela o movimento quer derrubar. Ele será poupado. Há um interesse nisso. O interesse em mudar. Mas também em deixar tudo como está.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A televisão, a publicidade e a cultura da violência no Brasil

 

Até os anos 60, a violência no Brasil tinha uma cara diferente da que temos hoje. A desigualdade social e a pobreza eram ainda maiores naquele período, o que explica sermos hoje uma sociedade mais violenta? Vários aspectos, mas o objetivo aqui é abordar apenas um deles e refletir sobre seus impactos na violência urbana, o surgimento da televisão.
A televisão chegou ao Brasil ainda nos anos 50, mas foi na década seguinte que começou a se  popularizar, chegando à classe média. Este novo meio de comunicação, com um alcance maior do que tudo que existia antes, levou a um desenvolvimento da publicidade. A venda de anúncios era o que tornaria tudo aquilo possível e a televisão começou um trabalho de criação de “mitos”, seres incríveis e admiráveis que eram capazes de vender tudo aquilo que anunciassem. Não é à toa que nesta época surgiram os primeiros grandes “heróis” de massa do país: Pelé, Roberto Carlos e Wilson Simonal. Artistas e jogadores de futebol poderiam ser mostrados agora a todo país, não apenas ao eixo Sul-Sudeste, e havia muita gente disposta a lucrar a partir do fanatismo que estas pessoas causavam.
Mais do que produtos, a publicidade vende a felicidade, sempre a ligando a alguma mercadoria. Um número cada vez maior de pessoas tinha acesso a estas novas publicidades e isto gerou nelas uma série de “necessidades” que antes não existiam e que só poderiam ser supridas pela compra do produto e do sonho visto na televisão. Os sambistas antigos e os funkeiros atuais vêm do mesmo lugar. A felicidade para os primeiros estava relacionada a conceitos ligados a relacionamentos, já para os músicos atuais está no consumo. O que explica esta diferença é uma mudança de valores trazida pela publicidade. Pode ser chocante, mas faz sentido acreditar que se Cartola nascesse hoje, no mesmo lugar em que nasceu no começo do século passado, provavelmente estaria fazendo a mesma coisa que o MC Guimê.
O desenvolvimento da televisão, portanto, levou uma série de novos desejos a um grupo cada vez maior de pessoas, que nem sempre via suas vontades atendidas. Isto mudou o aspecto da violência, especialmente nas grandes cidades. Até aquele momento, a violência urbana estava muito mais ligada a Máfias do que a qualquer outra coisa. Relacionava-se em boa parte a relações quase patriarcais de grupos disputando mercados negros. A partir dos anos 70, desenvolveu-se um tipo de violência mais individual, de pessoas que não queriam um mercado, queriam apenas comprar. Pessoas incapazes de comprar o produto dos sonhos vendido pela publicidade e que encontravam no roubo a única saída para esta dita felicidade. Vivíamos uma ditadura militar truculenta que apostou na repressão e não na educação como forma de enfrentar esta nova epidemia. Ideia de repressão compartilhada hoje em dia pelas pessoas que defendem a redução da maioridade penal como solução para os problemas do país. Deu errado lá atrás, tem tudo para dar errado agora.
Já nos anos 80, a televisão já consolidada como grande entretenimento nacional descobriu um novo mercado consumidor, as crianças. Devidamente preparada, surgia a primeira grande apresentadora infantil do país, Xuxa. Loira e bonita, era o instrumento ideal para convencer crianças a pedirem seus produtos para pais já acostumados com a ligação produto – felicidade. Xuxa foi transformada em rainha, as crianças em súditas, sedentas pelo que ela vendia. É neste período também que encontramos os primeiros surtos de violência infantil no país, como os arrastões em praias cariocas.
Lembro que, obviamente, há outras explicações para as novas ondas de violências surgidas a partir dos anos 70. O êxodo rural, com uma quantidade cada vez maior de pessoas morando em situações degradantes em grandes cidades, o consumo maior de drogas pela classe média e alta e o surgimento de grupos nas camadas mais baixas dispostas a suprir o vício desses consumidores, destruição do aparato educacional de base, surgimento e disseminação do crack como droga barata entre pessoas sem esperanças, entre outros. Mas o objetivo é falar apenas sobre televisão e publicidade, sem esquecer, claro, dos outros componentes transformadores deste contexto. E lógico que todos estes componentes citados acima já existiam antes do surgimento da televisão. Já havia gente roubando carroça no Brasil Colônia. A reflexão é sobre o caráter epidêmico que ela tomou.
A partir dos anos 90, a televisão passou a enxergar a violência como um produto e o medo como um motivador. Programas jornalísticos do mundo cão se desenvolveram, sempre mostrando como o mundo é perigoso ao mesmo tempo em que anunciavam maravilhas que os telespectadores poderiam comprar. Surgia neste período uma série de empresas vendendo o novo produto que este consumidor mais desejava, a segurança. O programa mostrava uma reportagem sobre o roubo de carros. Em seguida, uma propaganda de carro, sempre com uma pessoa que havia encontrado a felicidade por tê-lo. Logo após, a propaganda de uma seguradora de carros. Fechava-se o ciclo. Queira o carro. Compre o carro. Proteja-se do perigo.
Os anos PSDB-PT foram acima de tudo um período de explosão do consumo. A estabilização econômica do PSDB permitiu um maior acesso a novos produtos por um número maior de pessoas, e isto se desenvolveu pelas políticas de distribuição de renda do PT. Mas note que o conceito de “felicidade” imposto pela publicidade televisiva já estava disseminado mesmo em nossas políticas governamentais. Melhorar o país seria permitir que um número maior de pessoas consumisse, pois é nisso que estaria a verdadeira felicidade. Mesmo a educação foi tratada como um bem de consumo. O valioso esforço petista para colocar um número cada vez maior de jovens de baixa renda na universidade visa muito mais a formação de mão-de-obra qualificada para a produção, e não o surgimento de uma geração capaz de refletir sobre a sociedade em que vivemos e como melhorá-la. O mesmo processo de descaso com as ciências humanas existente no regime militar existe hoje. Estas ciências não estão inseridas no programa de ciências sem fronteiras, por exemplo. Não discutimos se o país está bem pelo conhecimento criado, mas sim pelo PIB.
 A transformação da educação em um produto de consumo é, a meu ver, a etapa final de um processo alienante iniciado, entre outros motivos, com o desenvolvimento da publicidade a partir do surgimento da televisão. Assim como a violência, a educação mais do que qualquer coisa é pensada para vender. Mais do que qualquer coisa, as maiores causas da violência urbana hoje são o consumismo e o individualismo. Não há reflexão, há apenas respostas a instintos, e nada nos faz agir mais de forma instintiva do que o medo.
Ligue a TV. Queira o carro. Compre o carro. Proteja-se. Prenda. Reprima. Seja infeliz.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O fim da gestão Haddad


Foi divulgada ontem a primeira pesquisa para as eleições municipais de SP de 2016. O resultado foi catastrófico para o atual prefeito Fernando Haddad. Ele aparece em 4º com 9%, atrás dos televisivos Celso Russomano e José Luiz Datena, além da antiga aliada e agora rival Marta Suplicy. O candidato do PSDB, Bruno Covas ou Andrea Matarazzo, aparece em 5º lugar. Nomes desconhecidos, qualquer um dos dois tende a crescer com o apoio de Alckmin e os programas eleitorais, o que torna bem possível que Haddad fique em 5º lugar. Creio que seria algo inédito na história do mundo um candidato à reeleição ficar em 5º lugar. O que Haddad pode fazer para mudar este cenário? Em minha opinião, nada.
Haddad é um choque para SP. Um choque de modernismo para o qual a cidade não estava mentalmente preparada. Numa cidade em que se fala apenas do indivíduo, ele pensou no coletivo. Numa cidade em que as pessoas se enxergam como consumidores, ele nos tratou como cidadãos. Pagará o preço por isso no ano que vem.
Nunca um prefeito pensou tanto no coletivo sem fazer concessões. Marta, que também revolucionou o transporte coletivo em sua gestão, fazia concessões como a construção do túnel Rebouças, por exemplo. Haddad não. Fez aquilo que se faz em toda cidade grande de 1º mundo, criou dificuldades para os carros e investiu nas bicicletas. Mas como convencer pessoas que foram criadas com a ideia de o que carro simboliza o ápice do sucesso e que entram em prestações eternas para ter conforto e demonstrar algum tipo de ascensão social a andar de bicicleta? Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra uma bicicleta andando mais rápido do que um carro na Marginal Pinheiros. Em outros lugares do mundo, isso faria as pessoas largarem o carro. Aqui, muda-se de prefeito.
Nada simboliza mais a mentalidade de boa parte da população paulistana do que a polêmica em torno da redução de velocidade nas Marginais. Eu, sinceramente, não tenho opinião formada sobre o assunto. Ao mesmo tempo em que tendo a concordar com medidas que penalizem o uso de automóveis, concordo que a Marginal é uma via expressa e que é muito improvável um caso de atropelamento nela em que a culpa não seja do pedestre. Por isso, não acho nada sobre o assunto. Espanta-me, porém, o grau de polêmica que este assunto gerou. De repente ter que andar a 50 km/h na Marginal se tornou o maior problema da cidade. Esqueceu-se até da falta d’água. O Governador da Sabesp teve 49% dos votos na capital. O Prefeito que reduziu a velocidade nas Marginais tem 9%. Daí pode-se concluir que o paulistano, em geral, prioriza o carro à água.  
No combate ao crack, Haddad optou pelo caminho da cidadania. Seu programa de acolhimento aos usuários também gerou críticas e foi maldosamente apelidado de “bolsa-crack”. Dois anos depois, uma reportagem de um grande jornal traz como título que 40 % dos atendidos por este programa abandonaram o programa. Uma manchete mais otimista diria que 60% dos atendidos continuam no programa depois desse período. 60 % para este caso é muito, basta pensarmos na quantidade de celebridades que se internam em clínicas milionárias pelo mesmo problema e têm recaídas. Uma parcela significativa da população não quer seus impostos gastos nisso. Quando se pensa como consumidor, perde-se a noção de cidadania, perde-se a capacidade de enxergar o outro com algum grau de compaixão. Estimula-se toda uma retórica estimulando a competição e a meritocracia que faz com que as pessoas não reflitam, sendo contra o uso do seu suado imposto na reabilitação de pessoas a margem da sociedade. Não à toa o defensor dos consumidores está em primeiro.
Toda ação gera uma reação adversa de igual intensidade. A onda de rejeição a Haddad gerará um próximo governo que provavelmente será o seu oposto. O seu pensamento coletivo será substituído ou pelo já citado individualismo do consumidor de Russomano ou pelo individualismo do medo de Datena, que receberá os votos daqueles cuja prioridade é a sobrevivência na alardeada guerra urbana em que vivemos. A pessoa que tem medo pensa apenas em si. Quer seu imposto gasto em armas e polícias, não em parques e praças.
O candidato do PSDB deve crescer, mas creio todos se uniriam contra ele num provável segundo turno. Não vejo também chances para Marta. Sua candidatura é um tiro no pé para ela e para Haddad. Os dois têm o mesmo eleitorado, concentrado na periferia e na “esquerda Vila Madalena”. Aqueles vão de Marta e estes vão de Haddad, de tal forma que nenhum dos dois terá votos suficientes para ir ao segundo turno.
O que resta para Haddad? Para mim, ele deve esquecer a eleição do ano que vem e pensar em como a história se lembrará dele. Apenas o tempo e a mudança de mentalidade de uma nova geração serão capazes de reabilitá-lo. Paulo Maluf deixou a prefeitura de SP em 1996 com 92% de popularidade. Veja como sua gestão é avaliada quase 20 anos depois.
Haddad deve aproveitar este 1 ano e 5 meses que restam de mandato para aprofundar as transformações que vem realizando na cidade e aguentar a provável humilhação das urnas no ano que vem. Voltar atrás agora significaria prejudicar seu legado e não trará os votos necessários para um segundo mandato. Nenhuma concessão. Fechar o minhocão aos sábados e a Paulista aos domingos. Investir no Plano Diretor e no combate à especulação imobiliária. Estimular a ideia de que uma cidade não é apenas aquilo que está do lado de fora do vidro do carro no caminho entre a casa e o trabalho. A cidade também é algo para ser vivido. Hoje a maioria não valoriza isso. Quem sabe em 2036.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

CAETANO, GIL E AS CARTINHAS HIPÓCRITAS DE ROGER WATERS



Eu sempre cito a hipocrisia. Deus abençoe a hipocrisia. Eu, você e eles, todos hipócritas. Sentimento tão natural do ser humano quanto o amor ou o medo.

Os judeus são, de longe, o povo mais perseguido do mundo. Longe de querer dar aula de história, mas é necessário dizer que os nossos colegas de quipá sempre foram responsabilizados por tudo de errado que aconteceu no planeta. Se não há outra explicação, a culpa é dos judeus.
Em virtude da seca e da fome judeus saíram da Palestina e migraram para o Egito. Viraram escravos por 400 anos. Voltaram para a Palestina, liderados por Moisés. Viraram prisioneiros na Babilônia. Foram libertados pelos persas e voltaram para a Palestina, mas como súditos do Império. Com a queda do Império Persa passaram para o Império da Macedônia sob o amigável domínio de Alexandre, o grande. Macedônia e Palestina foram conquistadas pelos Romanos. Os judeus foram expulsos da Palestina e se espalharam pelo mundo. Um povo sem território. Foram culpados pela morte de Jesus e perseguidos pela Igreja Católica. Peste negra? Queimem judeus e satisfaçam o nosso senhor, era o lema. Como era um povo unido e próspero foi acusado de querer dominar o mundo, sentimento compartilhado por toda a Europa. Holocausto.
Finalmente, em 1948 essa galera conseguiu uma terrinha para chamar de sua. O “minha terra, minha vida” dos americanos pressionou os ingleses e deu novamente aos judeus um território próprio.

Hoje o estado de Israel e forte, rico e, principalmente, armado. Não é para menos, já que o país é uma gota de democracia e avanço tecnológico em uma piscina de atrasos, intolerância e tirania.
Aos olhos do mundo esse conflito é um clássico roteiro de novelas. Os ricos e poderosos contra os pobres e oprimidos. A opinião pública internacional – em grande parte ignorante sobre o tema – condena o estado de Israel de maneira geral. Após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel anexou alguns territórios árabes, afugentando palestinos. Desde então existe uma briga sem fim sobre a devolução desses territórios, o reconhecimento do estado de Israel e também da Palestina.
Onde entram Caetano Veloso e Gilberto Gil nessa história?
Eles foram contratados para fazer um show em Tel-aviv. Existe um movimento artístico de boicote a Israel por conta da ocupação de território palestino chamado BDS (Boicote, Sanção e Desinvestimento em Israel), que busca eliminar a realização de eventos culturais no país como forma de pressionar o governo para a questão palestina. Roger Waters, ex Pink Floyd, enviou cartinhas para Caetano e Gil, pedindo o boicote.

Enfim, o show foi realizado ontem, como deveria ser feito. Eu sou um cidadão da paz, quero que Israel tenha o seu território e que a Palestina também tenha o seu. Rezo pela desocupação Israelense e pela harmonia entre as pessoas, porém se o senhor Roger Waters não fizer shows em países que subjulgam outros povos, prepare-se, enfim, para a aposentadoria, my friend. Moradores de países que não praticaram essa política provavelmente não terão R$ 600,00 para assistir ao seu show na Pista Premium em algum estádio de futebol por aí.

Europeus nunca quiseram os judeus. Os britânicos arranjaram um lugar para eles bem longe dali. Boicote a Grã-Bretanha, então!
Aliás, se eu for escrever sobre as atrocidades do Império Britânico durante séculos nas colônias, matando nativos e explorando riquezas, eu escreveria um livro.
Portugal, Espanha, Polônia, Hungria, Alemanha, Rússia. Todos perseguiram e mataram judeus.
Em todas as guerras existem crimes e com os americanos não é diferente. O que Hollywood conta é bem diferente do que acontece. Durante a guerra do Vietnã militares americanos  entraram na aldeia My Lai, no Vietnã do Sul, com a ordem de busca e destruição. Estima-se que 300 civis, na maioria mulheres, crianças e idosos, tenham sido mortos nesse que seria um dos maiores crimes de guerra da história dos EUA. Mais recentemente o governo Bush matou milhares de civis em busca de armas químicas/ biológicas que nunca foram encontradas no Iraque. A aldeia de Azizabad, no Afeganistão, foi devastada por bombas sob a alegação de terem matado o comandante talibã Mullah Siquid. Dias depois Siquid apareceu vivo, ileso.

No mundo globalizado contemporâneo temos outras formas de sofrimento causadas pelos poderosos. Ou você acha que o sistema de trabalho semiescravo chinês é apenas culpa da China? As centenas de fábricas americanas instaladas em território chinês estão lá apenas por coincidência ou pela conveniência de poder se utilizar de leis trabalhistas ridículas que deixam o custo de produção lá embaixo? Será que eu e você não temos culpa nisso? Eu tenho sim, mas vou continuar comprando meu Nike.

Não vejo ninguém boicotando a Europa ou os EUA. Contemplam esses locais como um exemplo de democracia, respeito e defesa dos valores humanitários. É fácil boicotar Israel, um país de 10 milhões de habitantes e do tamanho de Sergipe.
Além disso, Israel só existe e faz o que faz por conta dos EUA. Não fossem esses padrinhos poderosos os judeus estariam mortos ou espalhados pelo mundo há muito tempo. Protestem artistas, boicotem os EUA.
Antes de condenar Caetano e Gil por ignorarem a cartinha hipócrita de Roger Waters, pense bem. Se continuar discordando, se desapegue do desejo de fazer comprinhas em Miami nas férias, jogue foram o seu Iphone, seu Nike e fique a vontade para esquecer tudo quanto é obra artística no mundo. Em geral, países ricos são ricos porque foram sacanas no passado, ou continuam sendo, de forma mais velada e maquiada no presente. Caetano e Gil gostam de dinheiro e fizeram um trabalho, gostam de aplausos e fizeram um espetáculo para seus fãs. Meu Deus, por incrível que pareça eles foram os menos hipócritas nessa história toda.

Para finalizar, uma frase retirada de uma nota emitida por Rafeef Ziadah, porta voz do Comitê Nacional do BDS, condenando o anúncio de um show dos Rolling Stones em Israel, em 2014:
“Porque qualquer artista com consistência moral aceitaria atuar em um país que está tão profundamente envolvido em crimes de guerra e violações dos Direitos Humanos?”.

Pois é, Roger. Por quê?

Datena prefeito?


José Luiz Datena anunciou ontem, 28/7, sua candidatura à prefeitura de São Paulo. Apenas o tempo dirá se é apenas um golpe midiático ou se ele vai levar a sério esta empreitada. Datena é o tipo de celebridade bajulada e mimada, eu acredito que abandonará a sua candidatura na primeira desavença com qualquer correligionário. A análise mais importante, a meu ver, é entender o que está por trás disso.
O articulador da campanha Datena é Guilherme Mussi, deputado federal pelo PP. Seu principal projeto é um projeto de lei pedindo um plebiscito pela redução da maioridade penal. É deputado deste 2011, tendo passado neste período por 3 partidos, PV, PSD (o partido de aluguel criado pelo Kassab) e agora o PP. Nas eleições de 2010, declarou um patrimônio de R$ 1.136.416,76. Já em 2014, seu patrimônio declarado foi de R$ 67.517,51. “Perdeu” em patrimônio (com toda ironia possível) R$ 1.068.899,25 em 4 anos e mesmo assim quis continuar no Congresso. Um fato bastante curioso.
Eleito deputado federal por São Paulo, seu maior financiador de campanha é a IBAR Nordeste, empresa de extração de Magnésio localizada na Bahia e no Ceará. Recebeu 150.000 votos na última eleição em SP para defender os interesses de uma empresa mineradora nordestina. Em 4 anos e meio de mandato, apresentou 5 projetos, não obtendo nenhuma aprovação. Especializou-se muito mais em defender causas populistas do que em efetivamente fazer algo. Não liga muito para contradições: Faz parte da bancada ruralista e da bancada que defende os interesses indígenas ao mesmo tempo. Mussi é o tipo de político que trabalha nas sombras, mas parece pronto a querer dar um passo maior. Usará Datena para isso.
O vice na chapa de Datena será o delegado Antônio Assunção Olim, ex-chefe da Divisão Antissequestro da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Em 2004 respondeu a um inquérito por expor 3 acusados de forma constrangedora no programa de Datena. Elegeu-se deputado estadual em 2014, aproveitando a fama por ter sido o delegado do Mércia. Aparece constantemente no programa de seu possível companheiro de chapa, já sendo conhecido dos espectadores que Mussi pretende transformar em eleitorado. É o Robin perfeito.
A popularidade de Datena e Olim é fruto da comercialização da violência cotidiana na televisão. Este processo teve início no começo dos anos 90 (embora Jacinto Figueira Junior já tenha sido um precursor nos anos 70) com o programa Aqui Agora, que tinha como objetivo levar o jornal Notícias Populares à televisão. Grande sucesso, o programa elegeu em 1992 o seu primeiro vereador, o apresentador Ivo Morgante e dois anos depois elegeu para deputado federal sua primeira grande celebridade, Celso Russomano. Este segue até hoje na Câmara e é um nome forte também para a próxima eleiçao, mesmo sem atuação significante no Congresso, enquanto aquele acabou entrando no ostracismo após ser um dos chefes dos esquemas de corrupção na gestão Pitta.
Outras redes de TV, aproveitando o sucesso do Aqui Agora, entraram neste ramo. Datena, inicialmente um repórter esportivo, foi convidado para assumir o Cidade Alerta da Record no final dos anos 90, continuando neste tipo de programas até hoje, ora na Bandeirantes, ora na Record. O esquema é sempre o mesmo: repetição a exaustão de crimes ocorridos na cidade, de tal forma a fazer o público acreditar que aquele único crime aconteceu várias vezes, estimulando o medo entre os espectadores. O apresentador sempre assume a posição de dono da verdade. Datena se mostra como especialista em todos os assuntos, discutindo, por exemplo, com um piloto de avião após um acidente aéreo ou dando aulas de medicina para médicos quando algum erro deste tipo acontece.
Tragédia e violência vendem. O personagem de Datena é aquele que sempre “previu” os motivos da tragédia, mas só fala isso depois que ela acontece. É o grande sábio que mostra para o público como elas deveriam ser evitadas. À imagem de sábio une-se a imagem de xerife justiceiro, daquele que critica os criminosos e defende os cidadãos de bem, que são aqueles que estão em casa assistindo seu programa, com medo de sair na rua. Os temas são sempre tratados com superficialidade, estimulando apenas o impulso e nunca a reflexão.
Após 15 anos vivendo o mesmo personagem, é muito possível que Datena não mais se enxergue como alguém que finge ser sábio e justiceiro, mas como alguém que é o sábio e justiceiro que pode salvar a cidade das mãos dos bandidos que tomaram conta dela. Duvido muito que Datena seja capaz de reconhecer o próprio papel nesta sociedade apavorada.  Os anos de bajulação o fizeram ser incapaz de enxergar que ele é apenas um boneco pronto para ser manipulado por pessoas como Mussi. Datena está pronto para virar herói. Não é a primeira celebridade a cair nessa (que o diga Silvio Santos), não será a última. Será que a IBAR Nordeste investirá nessa jogada?

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Quando um político descobre que um problema é real



Angela Merkel fazia uma visita à cidade de Rostock, localizada na antiga Alemanha Oriental. Estava lá para fazer uma conferência com crianças numa escola da cidade. Estas faziam perguntas banais para respostas tão banais quanto, até que Angela foi confrontada por uma menina de 14 anos refugiada da Palestina. Ela contou sua história, disse que estava lá há 4 anos, que se sentia acolhida, que aprendeu alemão com certa facilidade, mas que seu pai havia sido expulso da Suíça e que não conseguia entrar na Alemanha. A menina seguiu seu relato, contando que não via sua família desde que chegou na Europa, para em seguida a chanceler alemã questionar, sem muita emoção na voz, sobre o caminho que ela havia feito. A menina respondeu que fugira da Palestina pelo Líbano e que tinha muito medo de seu futuro, uma vez que não era cidadã alemã, não tinha família por perto e temia ser expulsa da Alemanha em algum momento. Em seguida, questionou a chanceler por que era tão difícil para um refugiado arrumar emprego em território germânico.
Merkel respondeu como um robô. Acostumada apenas a entrevistas coletivas com jornalistas bem empregados, mais preocupados com as próprias carreiras do que com qualquer outro problema do mundo, respondeu como se estivesse falando a alguém de uma televisão ou jornal. Disse simplesmente que a menina tinha motivo para ter medo, uma vez que a Alemanha não tinha condições de receber todos os refugiados palestinos, que boa parte teria que voltar e que dificilmente a menina teria alguma chance de futuro por lá, pois a prioridade era dar emprego a alemães e não a estrangeiros. Tudo isso sem demonstrar nenhum tipo de emoção com o sofrimento da menina, ou ao menos prestar atenção no que estava dizendo. Ao dar esta resposta virou para o moderador, começou a falar de outro assunto até que, uns 5 segundos depois, seus olhos reencontraram a menina chorando. As palavras burocráticas da chanceler a fizeram cair no choro e a expressão de Merkel automaticamente mudou. O robô alemão enxergava finalmente uma pessoa e entendia a dureza da realidade daquele problema que ela tão friamente tratava como uma questão burocrática. Naquele momento, os refugiados deixaram de ser um número de algum relatório que ela havia recebido de um funcionário. O impacto destes refugiados nas finanças alemãs, provável motivo da resposta agressiva sobre a incapacidade da Alemanha de recebê-los, se tornou insignificante perto das lágrimas da menina. Merkel se aproximou, começou a acariciar sua cabeça e falou palavras de apoio, as mesmas que foi incapaz de dizer anteriormente. A mulher mais poderosa do mundo desmontava na frente de uma garota frágil, desmoronava ao enfrentar algo que há muito tempo não enfrentava, a realidade. Para quem tiver interesse, no final do texto está o link do momento em que a menina chora e da reação de Merkel.
Há uma grande probabilidade de que as lágrimas da menina sejam esquecidas em menos de uma semana e que o assunto dos refugiados na Europa volte a ter atenção nula. As pessoas, a mídia e os políticos tendem a estar mais preocupados com a situação do mercado de ações do que com problemas reais de pessoas reais. Vivemos numa racionalidade bocó, mais interessada em números e estatísticas do que em qualquer tipo de subjetividade. Na questão grega, por exemplo, fala-se muito mais sobre a desconfiança dos investidores em relação à Grécia do que da realidade daqueles que vivem na miséria desde que a crise começou em 2008. Repete-se assiduamente o número de bilhões de euros que o governo grego necessita, com atenção quase inexistente ao sofrimento que esta dívida causa ao povo grego. Talvez isto só mude se todos nós, principalmente Merkel, formos confrontados por uma criança grega chorando.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

TRISTE ADEUS, TRISTE TORCIDA, TRISTE FUTEBOL, TRISTE TUDO!





Resolvi escrever sobre o Guerrero mesmo antes do fim. Neste momento ele está há 1 jogo de encerrar a sua passagem pelo time de Parque São Jorge. O que motivou o texto nem foi tanto a trajetória do atacante, mas sim a burrice dos torcedores.

O efeito de manada é recorrente no brasileiro como já deixei claro algumas vezes, mas no torcedor de futebol o fenômeno se multiplica. Provavelmente o torcedor corintiano irá xingar o peruano pela eternidade simplesmente pelo o fato de ele vestir outra camisa brasileira.
Esse chilique é, segundo o torcedor, uma resposta apaixonada a decisão do atacante e de seus empresários em não aceitarem a proposta de renovação de contrato. Eu vejo de outra forma e acredito que essa atitude é apenas a falta de análise dos fatos e, principalmente, de passionalidade.

Seria eu, então, capaz de explicar a paixão pensando de forma racional? Sim, sou.

A paixão esconde os defeitos e ignora as tristezas. Os torcedores que “vivem de Corinthians” devem saudar o Guerrero na sua – mais que provável – saída, pois o que é o Corinthians se não as pessoas que o formam, sejam funcionários, colaboradores ou torcedores? Se vivemos de Corinthians, vivemos sim de Guerrero, Sheik, Andrés Sanches, Tite, Marcelinho, Sócrates, Rivelino, Vicente Matheus, Basílio, Cláudio e tantos outros. O Corinthians sobreviverá ao Guerrero, como sobreviveu a saída de todos esses grandes nomes citados.
Vamos à parte racional. O Guerrero assinou um contrato e o cumpriu como louvor, não ficou só com a mão na cintura esperando as coisas acontecerem e o salário cair. Fez por onde ganhar mais e ser reconhecido em um país que o desconhecia completamente. Ele se valorizou, é o trabalho e o sustento dele. O mundo do futebol é como e economia de mercado, ele se regula e os valores são baseados em oferta e demanda. Se o Guerrero acha que algum clube pode pagar 20 milhões de reais em luvas, é o preço que o mercado deu a ele, parabéns! Se o Corinthians não conseguiu chegar nessa cifra, paciência.

Por conta disso o Guerrero é mercenário? A palavra “mercenário” é usada pelos torcedores para QUALQUER jogador que saia do seu time para ganhar mais em outro clube tupiniquim, sem exceção. Em alguns casos, até os atletas que se aventuram nas terras petrolíferas também ganham essa alcunha.

Ora, somos todos mercenários então? Você pode adorar o seu local de trabalho, as pessoas, o clima, o bairro e tudo mais. Se você recebe uma proposta que passará seu salário de R$ 4.000 para R$ 7.000 você vai e pronto. Nunca ouvirá da sua mulher, dos seus filhos, dos seus amigos e até do seu antigo chefe que você foi um mercenário.
A única coisa que não concordo é quando o atleta com contrato vigente força a saída para poder ganhar mais. Aí sim ele é mercenário, aí sim ele é mau caráter e merece ser xingado pela torcida eternamente e, em alguns casos até depois da morte. O nosso herói do mundial não está fazendo isso, está apenas deixando o clube que não pode renovar o seu contrato pelo o que o mercado diz que ele vale.

O torcedor corintiano que realmente ama o seu clube e é grato por todas as alegrias vividas em virtude desse amor deveria fazer a maior festa do mundo para o Guerrero. Isso é amor, isso é gratidão pelo o que ele fez e não pela a assinatura em um novo pedaço de papel.

Se o Guerrero for xingado no próximo final de semana será a maior demonstração de que o jogador merece ser cada vez mais filho da puta e que o torcedor sempre acha que o clube está certo. Talvez o Guerrero não tenha aberto mão de alguns milhões de reais por 2 motivos: o primeiro porque são alguns milhões de reais e o segundo porque ele viu ao vivo o que um ídolo representa para a torcida aqui no Brasil, ele viu o que no que o Sheik se transformou.

O Sheik fez os gols salvadores do Corinthians no final da Libertadores 2012, ele era o Basílio do século 21 e seus feitos jamais seriam esquecidos. Até que o Sheik passou a não jogar tão bem e deu um selinho em um homem. Pronto, os torcedores botaram para fora um ídolo porque ele fez uma brincadeira com um amigo. Trataram o jogador como lixo “porque aqui é curíntia e não tem dessa palhaçada de selinho em macho!”. Na boa, o Sheik pode fazer o que quiser na sua vida pessoal que ele nunca deixará de ser um dos maiores nomes da história do clube. Mas para muitos o amor e a gratidão vale um selinho.
Hoje o Emerson é um jogador prestes a sair do clube, será um desempregado. Seu contrato está expirando e o clube não quer renovar, não é mais vantajoso. Poderia agora o Emerson dizer que o clube está sendo mercenário e mal agradecido? Claro que não! Exceto as pendências de salário, o Corinthians não deve mais nada ao Emerson, cumpriu o contrato e ponto. Não vejo torcedor xingando a diretoria porque não quer renovar como Sheik, porque temos que xingar o Guerrero por ele não quer renovar com o Corinthians? Vale a pena perder milhões para ser um ídolo que precisará sempre provar que é ídolo?

Torcedor passional não é o que xinga, é o que idolatra. Veja o que a torcida do Borussia Dortmound fez para o Lewandowski, quando ele se transferiu para um rival nacional, o Bayern de Munique.

A despedida do Ter Stegen do Borussia Monchengladbach quando se transferiu para o Barcelona. Um show!

As maiores provas de amor veem nas adversidades. Inacreditável o comportamento da torcida do Universidad de Chile apanhando em casa para o Internacional neste ano. O jogo estava 0x4.
Pule o vídeo para 1:23:12 e depois para 1:26:15.

Eu estou triste com esse adeus, até porque pelos valores que foram divulgados hoje (25/05/15) a diferença do oferecido pelo Corinthians e pelo Flamengo não é tão grande. Mesmo que o Guerrero vá para o Flamengo – ou até para o Palmeiras – não seja mais um no coro que vai xingar e chamar de mercenário. Seja o cara passional que vai aplaudir, seja o torcedor que vai fazer o Guerrero sentir uma emoção e um carinho tão grande que ele jamais se esquecerá, seja aquele e que se lembrará apenas do que foi bom, porque o amor é isso.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

MC MELODY E MC BELINHO x A MANADA MORALISTA



Ahhhhh o brasileiro moralista!
Estou acompanhando as notícias sobre a Mc Melody, filha de Mc Belinho, na internet. É só gente descendo a lenha, metendo o pau, menos o André Forastieri no R7.


Embora eu não tenha toda essa visibilidade, vou fazer coro com o colega e tentar perguntar para a sociedade qual o problema na carreira de Mc Melody. Qual?
Eu realmente penso que a maldade está nos olhos de quem vê e o problema está no estilo musical. Se fosse um casal de crianças dançando zouk, salsa ou tango seria lindo.

É difícil não citar o texto do André, pois está praticamente completo, mas quero acrescentar ao debate.
Crianças fazendo coisas de adultos é a coisa mais normal do mundo. Lógico que a sociedade deve impor limites, mas dançar o quadradinho de quatro é realmente mais chocante do que o que as minhas priminhas faziam na boquinha da garrafa em 1998?
Posso estar errado, mas até agora não vi a menina de fio dental, pelada ou algo do gênero. A menina está vestida no estilo grupo Mulekada do Gilberto Barros, lembra? Aquelas crianças do mulekada eram as coisinhas mais fofinhas das tardes de sábado.



Uma das coisas que eu mais odeio nas pessoas é o pensamento de manada. Se um boi vê 3 bois correndo para um lado, ele correrá também. Galera vê 3 jornalistas massacrando um pai, com fotos de uma menina de short e biquíni, e começa a fazer abaixo assinado para tirá-lo a guarda da menina. MEU DEUS... Querem destruir uma família na onda do efeito manada.
Imagina se hoje aparecessem duas crianças caipiras cantando uma história de traição, onde a mulher adultera tenta a todo custo enganar o marido? Se você não adivinhou, essas crianças são Sandy e Júnior e a música é Maria Chiquinha. E o final é assim: Então eu vou te cortar a cabeça, Maria Chiquinha/ Então eu vou te cortar a cabeça/ Que cocê vai fazer com o resto, Genaro, meu bem?/ Que cocê vai fazer com o resto?/ O resto? Pode deixar que eu aproveito. Vou botar o Xororó na cadeia por conta disso?
Crianças cantando histórias adultas é algo normal. Está claro que o problema é o funk. A Mc Melody virou um estandarte dos moralistas e essa mobilização fará muito mais mal ao seu futuro do que a sua carreira de funkeira. Se eu assistir algo da Mc Melody em que o conteúdo seja realmente pornográfico, dou o braço a torcer. Só não acho certo que a internet queira decidir sobre a capacidade de um pai criar uma filha apenas porque ele a inseriu no meio artístico (queira você goste de funk ou não). O importante, no caso, é saber se ela não é forçada a trabalhar, se ela continua estudando, se ela gosta do que faz e se ela não vê tudo isso como obrigação, mas sim uma grande brincadeira. E me parece que ela gosta de cantar tanto quando a Sandy gostava ou tanto quando o menino Neymar gostava de jogar bola.

Existe sim no funk crianças cantando, dançando e gesticulando coisas totalmente inapropriadas para a sua idade. Não a Mc Melody. Como se diz hoje, os haters podem se deliciar com o conteúdo abaixo, pois esses pais merecem uma visitinha do conselho tutelar.



Com tantos exemplos de “utilização indevida de crianças e adolescentes”, porque o foco na Mc Melody? Seria porque é mulher? Será que ser moralista é ser machista também?

Pare, pense e tenha opinião. Não seja mais um boi.

terça-feira, 14 de abril de 2015

O PMDB, A TERCEIRIZAÇÃO E A CLASSE MÉDIA MASOQUISTA.



O projeto de lei 4330 sobre a terceirização é o maior retrato da situação que vivemos no nosso país. Poucas pessoas percebem essa gigantesca manobra do PMDB para dominar o governo e saciar suas necessidades.
Não sou militante da CUT e nem tenho uma grande empresa, você pode confiar na minha visão imparcial das coisas.
O projeto claramente beneficia mais o empresariado. Não que não existam vantagens importantes para os trabalhadores que já são terceirizados, mas essas vantagens não parecerão tão legais assim para os atuais funcionários formais que se tornarão terceirizados e nem para o governo. Negar isso é enxergar algo que não existe.

Sem querer entrar em detalhes da lei, gostaria de esclarecer meu ponto de vista. Primeiramente a vertente mais passional: Em nenhum cenário em que de um lado está Paulo Skaf e do outro está a CUT você pode duvidar que os direitos trabalhistas estão em risco. Não estou fazendo juízo de valor, não quero dizer que o Paulo Skaf é uma bruxa má e a CUT é a beleza do mundo, ou que tudo o que o Skaf faz é ruim e o que a CUT faz é bom, apenas quero deixar claro que o Paulo Skaf luta para desonerar as empresas e a CUT para proteger e criar mais direitos trabalhistas (não que isso sempre seja bom para a economia).

Pensando agora pelo lado mais racional e científico. O PL 4330 vai ajudar os terceirizados porque o responsável pelo o recolhimento dos encargos será o contratante e não o empregador, além disso, será criado um fundo reserva pelo contratante para cobrir possíveis faltas do empregador. Em contrapartida fica claro na lei que o contratante terá agora responsabilidade subsidiária e não solidária com o empregado terceirizado, o que não é bom.

Então, porque a nova lei ajudaria o empresariado? Por 2 motivos claros: Achatamento de salários e “pejotização”. Vamos usar o exemplo de uma escola particular em que os professores não serão mais funcionários da escola, mas sim de uma empresa X que enviará os professores necessários para o funcionamento dela. Essas empresas serão especializadas em achatar salários para que a sua atividade dê lucro, ou seja, estão colocando um intermediário entre a escola e o professor. Se a escola ganha e o intermediário ganha, quem perde? É aqui que o Chico Anísio apertaria ainda mais os dedos do Professor Raimundo. A “pejotização” é um dos nomes dados à prática de contratar funcionários que possuam CNPJ, prática essa que a nova lei regulamenta e estimula. Funcionários pessoa jurídica não tem férias, 13º salário, descanso semanal remunerado, FGTS, etc.

Funcionários terceirizados ou PJ serão uma enorme desoneração na folha das empresas. Existem outros problemas – não menos importantes – como os sindicais, por exemplo, mas acredito que o básico está aí em cima. O que mais me incomoda e ao mesmo tempo me causa admiração é o cenário político em meio a este diálogo, como o PMDB conseguiu conquistar os objetivos de seus financiadores se aproveitando de uma crise dentro do governo que ele elegeu e participa há 13 anos. Cara, parabéns! Bato palmas... Palmas para a burrice da classe média brasileira.
O PMDB é o partido dos poderosos do norte/ nordeste, dos empresários do sudeste e dos mega agricultores do centro oeste tupiniquim. Qualquer projeto de lei que ferre com as leis trabalhistas beneficia todos esses grupos e afeta diretamente o grupo mais historicamente atingido por qualquer porcaria que muda nesse país, a classe média.
A nova lei não vai alterar praticamente nada a vida dos terceirizados de hoje em dia, que possuem menores salários, é capaz até que melhore. A porrada virá em cima da classe média que perderá seus empregos formais para terceirizados e que todos nós estaremos a mercê de sermos substituídos por “empresas” de uma pessoa só ou termos que nos tornar uma. O PL 4330 não mexe na CLT, mas dá brechas para que as empresas fujam dela, diminuindo direitos e achatando salários.
Quando digo que a classe média pagará a conta é porque além de salários menores, o PL 4330 diminuirá a arrecadação do governo. Pejotização diminui arrecadação por parte das empresas e estimula a sonegação do funcionário que não tem nenhum imposto retido na fonte pagadora, além de estimular mais ainda a prestação de serviços sem emissão da N.F., onde sonegam a empresa e o empregado.

O PMDB enxergou a oportunidade. Desvincula-se cada vez mais do governo e coloca em votação urgente um projeto de lei que estava vagando pela câmara desde 2004. Enquanto a classe média se pinta de verde e amarelo e vai para a rua, o PMDB tenta passar um projeto que vai acabar justamente com esse pessoal. Os protestos são legítimos e não são da elite - como o PT quer pintar - essas manifestações são da classe média clamando por algo que mude a sua realidade. O problema é que a cultura de ódio ao PT e à Dilma acaba cegando a todos e é o que abre espaço para investidas como essa do PMDB, é a real aplicação da frase “inimigo do meu inimigo é meu amigo” que faz com que Dilma não tenha força nenhuma para lutar contra a terceirização, mesmo que ela e seu partido pensem assim. “Se Dilma está contra, ora, estamos a favor”, deve pensar um pseudopolitizado manifestante, sem entender que aquela passeata do dia 12 deveria ser contra essa lei absurda que promete trazer cada vez mais lucros para o empresariado e vai destruir a classe média. Como disse, os trabalhadores com salários menores não serão tão afetados e, com a desculpa de proteger esses trabalhadores, o partido dos poderosos esta enfiando goela abaixo essa história de autorizar empresários a terceirizar todos os postos de trabalho. Especialistas estimam que em 10 anos o Brasil terá 75% de trabalhadores terceirizados.

Triste ver que todas aquelas pessoas que foram as ruas estão tão cegas de ódio que não enxergam um palmo a frente do nariz, não veem como votaram os seus deputados de oposição. Nenhum problema votar na oposição ou votar no governo, mas nem tudo o que o PT defende é errado, muitos diriam que até um relógio quebrado está certo 2 vezes ao dia. Por favor, lute, proteste, mas não perca nunca o seu senso crítico. Isso não é futebol, os partidos não são times, não somos torcedores, podemos - e devemos - mudar de time de acordo com o dia. Seja oposição, não seja um burro cabeça dura.


Mais uma vez, parabéns ao PMDB. No que se propõem a fazer vocês são imbatíveis.

São Paulo e a extinção da CLT



Segue abaixo o voto de cada deputado paulista na votação do Projeto de Lei que permite a terceirização de todos os setores de uma empresa, que na prática pode significar o fim das leis trabalhistas como as conhecemos:

Deputado
UF
Voto
Partido
Alexandre Leite
SP
Sim
DEM
Eli Côrrea Filho
SP
Sim
DEM
Jorge Tadeu Mudalen
SP
Sim
DEM
Orlando Silva
SP
Não
PC do B
Major Olimpio
SP
Sim
PDT
Baleia Rossi
SP
Sim
PMDB
Guilherme Mussi
SP
Sim
PP
Missionário José Olimpio
SP
Sim
PP
Paulo Maluf
SP
Sim
PP
Alex Manente
SP
Sim
PPS
Roberto Freire
SP
Sim
PPS
Capitão Augusto
SP
Sim
PR
Marcio Alvino
SP
Sim
PR
Miguel Lombardi
SP
Sim
PR
Milton Monti
SP
Sim
PR
Tiririca
SP
Não
PR
Antonio Bulhões
SP
Não
PR
Beto Mansur
SP
Sim
PR
Fausto Pinato
SP
Sim
PR
Marcelo Squassoni
SP
Sim
PR
Vinicius Carvalho
SP
Sim
PR
Flavinho
SP
Sim
PSB
Keiko Ota
SP
Sim
PSB
Luiz Lauro Filho
SP
Sim
PSB
Luiza Erundina
SP
Não
PSB
Gilberto Nascimento
SP
Sim
PSC
Pr. Marco Feliciano
SP
Não
PSC
Goulart
SP
Sim
PSD
Herculano Passos
SP
Sim
PSD
Jefferson Campos
SP
Sim
PSD
Ricardo Izar
SP
Sim
PSD
Walter Ihoshi
SP
Sim
PSD
Bruna Furlan
SP
Sim
PSDB
Bruno Covas
SP
Sim
PSDB
Eduardo Cury
SP
Sim
PSDB
João Paulo Papa
SP
Sim
PSDB
Lobbe Neto
SP
Sim
PSDB
Mara Gabrilli
SP
Não
PSDB
Miguel Haddad
SP
Sim
PSDB
Ricardo Tripoli
SP
Sim
PSDB
Samuel Moreira
SP
Sim
PSDB
Silvio Torres
SP
Sim
PSDB
Vitor Lippi
SP
Sim
PSDB
Ivan Valente
SP
Não
PSOL
Ana Perugini
SP
Não
PT
Andres Sanchez
SP
Não
PT
Arlindo Chinaglia
SP
Não
PT
Carlos Zarattini
SP
Não
PT
José Mentor
SP
Não
PT
Nilto Tatto
SP
Não
PT
Paulo Teixeira
SP
Não
PT
Valmir Prascidelli
SP
Não
PT
Vicente Candido
SP
Não
PT
Vicentinho
SP
Não
PT
Arnaldo Faria de Sá
SP
Não
PTB
Nelson Marquezelli
SP
Sim
PTB
Renata Abreu
SP
Sim
PTN
Evandro Gussi
SP
Sim
PV
William Woo
SP
Sim
PV
Paulo Pereira da Silva
SP
Sim
SOL

Alguns comentários:
- Todos os candidatos do PT votaram não. Mesmo assim o projeto foi aprovado com facilidade. O PT tem a presidência da República, mas já não governa. Dilma se tornou quase uma figura decorativa.
- A única deputada do PSDB-SP a votar contra este projeto foi Mara Gabrili. Para quem não a conhece, ela é deputada desde 2011, defendendo acima de tudo a causa dos deficientes físicos. Em muitos momentos, ajudou o PT na confecção de Medidas Provisórias facilitando o acesso de deficientes ao Pronatec e ao Minha Casa Minha Vida. Mara odeia o PT. Seu pai era dono de uma empresa de ônibus em Santo André, que segundo ela foi destruída por um processo de corrupção engendrado pela prefeitura comandada por Celso Daniel em 2001. O prefeito seria assassinado no ano seguinte, para muitos por tentar desmontar este esquema, e o pai de Mara sofreu um aneurisma no mesmo ano. Para quem se interessar, a deputada deu um depoimento comovente sobre o assunto numa Comissão do Congresso, que vocês podem assistir abaixo.


Mais do que qualquer pessoa, Mara tem motivo para ter ódio do PT, mas este ódio não a cega a ponto de impedi-la de discernir o certo do errado. Mara Gabrili é uma deputada que orgulha São Paulo. Que as pessoas saibam reconhecer a sua coragem.
- Quase todos os deputados que não possuem interesses patronais e cuja popularidade está acima do Partido votaram contra este projeto, independente de juízo de valor dos outros projetos que defendem. Mara Gabrili, cujo exemplo já foi citado, Pastor Marco Feliciano, defensor dos evangélicos (achar que se deve misturar religião e política é MUITO mais perigoso do que qualquer coisa, mas isso não está em pauta neste texto), Luiza Erundina, defensora histórica de causas sociais, e Tiririca, defensor de si mesmo, são os melhores exemplos. Todos votaram contra o interesse patronal dos respectivos partidos.
- Roberto Freire, grande nome político do país, antigo líder do Partido Comunista, votou a favor. Uma pena.
- No domingo seguinte à votação desta lei, milhares de pessoas saíram às ruas de SP. Elas saíram contra o único partido grande que votou CONTRA esta lei. A água está acabando, estamos no meio de uma epidemia de dengue e com um Congresso querendo acabar com os direitos trabalhistas. Mas a única coisa que boa parte dos descontentes da Paulista sabia fazer era pedir a saída da presidente.
- Ao final da eleição no ano passado, muitos paulistas acreditavam que outras regiões do Brasil não sabiam votar. A posição dos deputados paulistas, escolhidos pela mesma população que “não suporta mais esta bandalheira”, mostra que falta autocrítica. Antes de criticar o voto alheio, pense no seu. Se você é a favor de férias e décimo-terceiro, Bruno Covas não te representa. As pessoas de classe media que comemoraram a aprovação deste projeto de lei apenas porque ele representou mais uma derrota para o PT precisam de terapia. Urgente.