sábado, 7 de abril de 2018

A era do absurdo e o futuro do pretérito



Antes de começar o texto, GOSTARIA de pedir desculpas pelo título. E deixar claro que todas as vezes que um verbo for utilizado no futuro do pretérito, utilizarei caixa alta.
Vivemos uma era de absurdos. E uma das principais características desta era é que o criminoso é considerado culpado pela opinião pública, e chamo de opinião pública a grande mídia e aqueles por ela manipulados, antes mesmo de que haja algum crime minimamente verificado. Escolhe-se um culpado e depois se procura o crime. Utilizarei nisso naquilo que chamo de tese dois exemplos: o impeachment de Dilma e a prisão de Lula.
Dilma foi eleita em outubro de 2014 e uma semana após sua eleição ocorreu a primeira passeata pedindo seu impeachment. Embora pequena, já era uma manifestação demonstrando a incapacidade de uma parcela da população, especialmente em SP, incapaz de aceitar a derrota nas urnas. Eles já queriam o impeachment, mesmo que ainda não soubessem qual motivo seria capaz de “legitimar”, mesmo que de forma fajuta, suas vontades. Em março, dois meses e meio depois da posse, a passeata pequena se tornou gigantesca. Mais de um milhão de pessoas vestindo verde-e-amarelo, clamavam por impeachment. Junto a eles, pessoas pedindo intervenção militar, a volta da monarquia e utilizando símbolos nazistas. Depois desta passeata, cresceu na opinião pública a ideia de que era possível o impeachment da presidenta. Para isto, era necessário achar um crime. Nisto, apareceu uma advogada lunática, segundo a qual Dilma TERIA cometido um crime de pedalada fiscal. TERIA atrasado o repasse de dinheiro do governo para estatais para melhorar os números governamentais. Qualquer coisa que parecesse um crime SERIA suficiente para justificar o processo e o deputado mais bandido da história do mundo comandou o processo que resultou no afastamento de Dilma.
Um segundo pedido daquela passeata de pessoas em verde-e-amarelo que continha gente pedindo intervenção militar, a volta da monarquia e utilizando símbolos nazistas era a prisão de Lula. Ninguém sabia qual era o crime, mas queriam Lula na cadeia de qualquer jeito. Ele era ladrão e pronto. Para isto, seria necessário inventar um crime. Talvez no futuro alguém entenda o quão bizarro isto é, mas Lula SERIA condenado três anos depois pelo seguinte crime. A OAS era dona de um prédio e queria vender um apartamento para Lula. Isto na época em que o ex-presidente era a pessoa mais popular no Brasil. Para aumentar a possibilidade de venda, a OAS fez uma reforma neste apartamento, esperando que isto aumentasse as possibilidades de sucesso da venda. Lula visitou o apartamento com sua esposa. Esta gostou do imóvel, mas Lula não. Disse que não havia sentido um casal idoso comprar um tríplex. Alguns anos depois, um juiz tentando agradar a esta opinião pública que já tinha um culpado sem ter crime PRENDERIA o dono dessa construtora. O juiz manteve o empreiteiro preso até que ele o ajudasse a criar um crime. Dois anos depois, o empreiteiro fez sua parte para sair da cadeia. Disse ele em delação premiada que a reforma do apartamento que jamais foi de Lula SERIA uma propina. Lula RECEBERIA o apartamento e em troca FARIA lobby da construtora sabe-se lá onde. Lula SERIA considerado dono com base única e exclusivamente em delações. Não há documento algum que comprove sua posse. É como se eu juntasse algumas pessoas e dissesse que o apartamento em que você leitor(a) mora não é seu. Mesmo sem ter documento algum, isto SERIA suficiente neste mundo bizarro criado para condenar Lula. Se testemunhos servem para provar a posse, também servem para provar a ausência de posse, afinal.
Uma pessoa está na cadeia por um crime inventado. Por um crime do futuro do pretérito. A mídia repete à exaustão que o processo legal foi seguido. Como se o processo legal fosse suficiente para justificar a condenação por um crime que não existe, a não ser no futuro do pretérito. Mandela foi condenado por um processo legal. Luther King também. O processo não diz nada se aquilo que o motivou foi uma farsa. Para que esta farsa tivesse sucesso, a atuação da grande mídia foi fundamental. Anos repetindo mentiras para que elas ficassem gravadas na mente de boa parte da população como verdade. A revista Isto É trazia Lula vestido de presidiário antes mesmo do tal processo no futuro do pretérito existisse. A revista Veja contava em sua capa sobre um suposto plano que Lula TERIA para fugir para a Itália. A lei nunca foi tão descumprida na condenação de alguém como foi no caso de Lula. Mas já é claro que não há mais lei, afinal. A base da legislação, a presunção de inocência, já foi pro saco nesta época punitivista.
Na última pesquisa presidencial, Lula, o condenado no futuro do pretérito, aparece em primeiro. A turma do verde-e-amarelo diz que é porque o povo é burro. Eu acho que é pelo contrário, o povo é muito inteligente e de certa forma percebe a farsa. Vivemos o pior Brasil da nossa geração enquanto a mídia não se cansa de afirmar que ESTARÍAMOS avançando. O antigo segundo colocado que agora chega à liderança é Jair Bolsonaro, o fascista. Esta turma do verde-e-amarelo já conseguiu realizar seus dois primeiros pedidos. Dilma fora e Lula na cadeia. Qual será? O Rio já vive sob intervenção militar. É o futuro do pretérito comandando uma era de absurdos.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Maluf, Lula e o punitivismo como instrumento do fascismo



Paulo Maluf é um filho da puta. Creio que poucas pessoas tenham dúvidas sobre isso. Roubou, mentiu, apoiou uma ditadura. Paulo Maluf merece ser tratado com dignidade. Foi preso aos 86 anos. Com câncer. Uma parte da sociedade comemorou seu sofrimento. “Está sendo feita justiça”. Maluf conseguiu um habeas corpus. Revolta. “Injustiça e impunidade”. Não interessa que o ex-governador esteja em prisão domiciliar e tenha os bens bloqueados. Apenas a privação total da liberdade é vista como uma forma de se fazer justiça. Justiça é igual a sofrimento e humilhação.
Paulo Maluf é claramente culpado. Mesmo ele merece ser tratado com dignidade. Está no fim da vida e não há sentido em impedir que viva o final de sua vida com o mínimo de qualidade. Mesmo as pessoas menos decentes devem receber um tratamento decente no final da vida. Não há sentido em prisão que não seja domiciliar para pessoas em idade avançada e que não representam perigo à sociedade. Não é o caso do médico Roger Abdelmassih, cuja liberdade claramente representa um risco. Mas no caso de Maluf, serviu apenas como prazer para gente que perdeu qualquer capacidade de empatia humana. Não deixa de ser curioso que Maluf tenha feito parte da sua carreira estimulando este ódio e punitivismo. “Lugar de bandido é na cadeia”. Nada melhor do que aproveitar o caso de Maluf para se mostrar diferente de Maluf. Sejamos melhores que este tipo de pensamento. Infelizmente não somos.
Uma das maiores marcas do avanço do fascismo no Brasil é a tara por punição. As pessoas estão com ódio e querem ver sofrimento. Cada foto de político sendo preso pela Lava Jato, raspando o cabelo e tirando foto com cara de tristeza causa festa na turma do verde-e-amarelo. Pessoas saem nas ruas com as cores do país pedindo o fim da impunidade. Comemoram cada prisão e reclamam de todo habeas corpus. Prisão igual a justiça, liberdade igual a  impunidade. Sérgio Moro, ídolo da turma fascista, mostrou em entrevista na TV o número de pessoas que colocou na cadeia como sinal de competência. Não deu importância aos casos em que suas decisões condenatórias foram revertidas em outras instâncias. Inversão da presunção de inocência, agora todos são culpados até que se prove o contrário. Estímulo às delações, que são premiadas até no nome e são consideradas por si só uma prova. Prisões preventivas eternas. Tudo estimulado por uma mídia que aposta no medo e no ódio de forma comercial. Pessoas com medo ficam em casa e consomem. Na falta do que gostar, o ódio une e permite a manipulação. Pessoas deste tipo se consideram patriotas. Elas dizem amar seu país. Como elas o amam, todas que não concordam são automaticamente inimigas da pátria. Apropriaram-se dos símbolos nacionais e os utilizam para gritar por sua visão tosca de justiça.
Amanhã Lula possivelmente será preso. Quem acompanha este blog sabe minha opinião sobre o processo do ex-presidente. Ele foi, a meu ver, condenado sem provas, num processo farsesco que se transformou num circo midiático. Está sendo preso antes do julgamento em última instância, numa clara afronta à Constituição. Quem assistiu à análise do seu habeas corpus preventivo no Supremo pôde notar, caso ainda consiga pensar, o grau de bizarrice que tomou conta do Poder Judiciário. O voto do ministro Barroso, por exemplo, parecia vindo do programa do Datena. O ódio impede a turma do verde-e-amarelo fascista de ter qualquer empatia humana. Lula não é visto como um senhor de 74 anos sobrevivente de um câncer. É alguém que deve sofrer e cujas imagens na prisão significarão regozijos de alegria nesta turma. Apenas gente doente se alegra ao ver sofrimento. Uma prisão domiciliar do senhor de 74 anos não basta para quem o odeia. Mesmo que eu o achasse culpado, como acho que é o caso de Maluf, não conseguiria ficar feliz. Sinto-me humano por isso.
Somos uma sociedade doente. Pessoas que só sabem berrar e odiar estão vencendo todas desde o impeachment. Estão conseguindo impor sua visão de país. Nunca estivemos pior, mas para eles estamos melhorando. “Sendo salvos”. Tiraram o monstro da jaula e ele não para de crescer. Na boa, estamos fudidos...

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O Evangelho segundo Deltan Dallagnol



Não há nada mais perigoso para um Estado laico do que um membro do Poder Judiciário que seja fanático religioso. O fanatismo cega e faz com que a pessoa aja não de acordo com a racionalidade das regras institucionais estabelecidas democraticamente, mas sim através de uma fé pessoal baseada em subjetividades em vontades pessoais. O fanático religioso é de certa forma alguém que se compara a Deus, que acredita que a figura divina está sempre ao seu lado. Por estar sempre ao lado do Ser superior, o fanático sente que O representa, sendo assim a sua vontade igual à vontade divina. Estando com Deus o tempo todo, o fanático se vê como estando sempre com a razão e tendo como função transformar a sua vontade, que afinal é a vontade divida, em realidade. É isto que explica, a meu ver, o grande número de fanáticos religiosos que no Brasil atual saem pedindo a morte e a prisão de quase tudo que se mexe para, aos domingos, comungar e rezar. Para esta gente, Deus no fundo não passa de um argumento de autoridade para justificar interesses pessoais, uma abstração cuja companhia permite tudo, especialmente o ódio. Jair Bolsonaro, por exemplo, poucos segundos após homenagear um torturador na sessão de impeachment de Dilma, disse que seu voto era em nome de Deus. Não há contradição na cabeça destes fanáticos, uma vez que o fanatismo não dá espaço para reflexão. Todo fanático se acredita um Deus, uma vez que trata sua vontade como vontade divina e se enxerga como um executor dos desejos do Ser maior que está sempre ao seu lado. Sociedades em que fanáticos religiosos chegam ao poder tendem a ser reacionárias e preconceituosas. Não há espaço para o respeito à diversidade com alguém que se considera um Deus. Quando se está com Deus, se é igual a ele, logo se atingiu a perfeição. Todo fanático é intolerante. Todo fanático se sente livre para odiar.
Deltan Dallagnol é um fanático religioso. Fala mais sobre a Bíblia do que sobre a Constituição. Descreve-se em sua conta no Twitter como alguém temente a Deus. Nesta semana, Dallagnol disse jejuar e orar para que uma pessoa fosse presa. O Deus de Dallagnol, portanto, é alguém punitivista. Considerando que Dallagnol acredita que suas vontades sejam também as vontades do Deus em que arduamente acredita, temos outras características desta representação divina. Dallagnol é contra o habeas corpus e a favor da liberação quase irrestrita das prisões preventivas. Provavelmente acredita que Deus está do seu lado nestas empreitadas. O Deus de Dallagnol não quer persão, o Deus de Dallagnol quer prisão. O Deus de Dallagnol, porém, não se opõe aos privilégios da casta judiciária, uma vez que sua ovelha mais importante recebe auxílio moradia mesmo morando na cidade em que trabalha. Dallagnol não faz jejum por distribuição de renda, igualdade ou paz. Tampouco ora para aprender a usar um Power Pont. Passa fome e reza apenas para pedir punição. Dallagnol quer vingança e não enxerga contradição em utilizar-se de sua crença divina para pedir o sofrimento de alguém, sem entrar no mérito de saber se esta punição é justa ou não. Quem lê este blog sabe minha opinião, mas o que está em pauta aqui é o uso de Deus com objetivos punitivistas.
É óbvio que cada pessoa pode ter sua interpretação de lei e suas crenças. O que é assustador é ver a quantidade de pessoas semelhantes a Dallagnol que fazem parte do nosso atual Poder Judiciário e que usam suas crenças para manipular a classe média que está com ódio de tudo, menos do que define como Deus. Marcelo Bretas, juiz da Lava Jato no Rio, elogiou o procurador fiel e também disse orar junto com seu irmão. Este recebe dois auxílios moradia, uma vez que sua esposa também é juíza.
O fanático religioso perde a capacidade de qualquer autocrítica. Somos uma sociedade que aos poucos é dominada por este fanatismo. Deus está em todos os discursos, principalmente nos que defendem o ódio. Não há espaço para amor e compreensão. Uma sociedade em que pessoas dessas julgam e condenam não é mais capaz de discernir certo de errado. Uma sociedade que utiliza estas figuras como exemplo não tem futuro. É medonho como pessoas que se dizem conscientes toparam se unir a este tipo de gente, sem olhar na história para onde as sociedades caminham quando seguem este caminho. Todo governo totalitário de direita se apoia no fanatismo religioso. Bem-vindo à República Fundamentalista do Brasil.

quarta-feira, 7 de março de 2018

O fim da gestão Doria parte 2 - O ex-prefeito em atividade



Falta um pouco menos de um mês para aquela que deve ser possivelmente a melhor notícia política do ano: João Doria Jr. deixará de ser prefeito de SP. Pinta como favorito ao governo de SP, mas o certo é que ao menos passaremos um pouco mais de oito meses sem que Doria ocupe nenhum cargo público. Na atual situação que vivemos, qualquer alívio de curto prazo deve ser comemorado.
O último mês da gestão Doria começou com alguns exemplos que mostram as grandes características desta curta e polêmica gestão. Nunca tivemos um administrador municipal que usasse tanto o cargo para atender seus interesses pessoais. Um dos seus últimos atos como prefeito demonstra isso. Doria assinou um decreto que garante segurança especial paga pelo município aos ex-prefeitos. Não quer perder a mordomia, afinal. (P.S.: No dia seguinte à publicação deste texto, graças à forte pressão da opinião pública, Doria alterou o decreto, decidindo que a segurança bancada pelo município passaria a valer apenas para o próximo ex-prefeito).
No último domingo, Doria esteve no Pacaembu acompanhando o jogo entre Santos e Corinthians. No momento em que houve a queda de luz durante a partida, Doria saiu fugindo da imprensa, não queria nenhum tipo de questionamento. Recusou-se a realizar uma entrevista para falar sobre o assunto e no dia seguinte divulgou uma nota, em que dizia que as frequentes quedas de energia no estádio (foram três neste ano) eram uma prova de que ele deve ser privatizado. Sem entrar por enquanto no mérito de questionar se a privatização é correta ou não, acho que posso afirmar que é fato que enquanto o estádio pertencer à Prefeitura, ela possui a obrigação de garantir que o seu funcionamento ocorra com qualidade. Foi uma tentativa patética de tentar transformar um erro de sua administração em argumento para a venda do bem público e uma incapacidade completa de assumir seu erro.
Doria não possui respeito algum pelo conceito de bem público. O seu plano de privatizações mostra isto. O prefeito colocou tudo num grande “pacote” e tratou da mesma forma a venda de um bem como o Anhembi e de um bem como o Ibirapuera, que têm significados e importâncias completamente diferentes para a vida da cidade. Ele é incapaz de tratar cada caso de forma específica porque para ele bem público é, no fundo, a mesma coisa, tendo que ser simplesmente repassado para o setor privado para “gerar lucro”. Lazer e qualidade de vida não significam nada na forma como o prefeito enxerga as coisas. No caso do Ibirapuera, Doria disse na mesma entrevista, na mesma, que o parque continuaria sendo um espaço para uso livre e que muitos amigos seus donos de restaurantes importantes já o haviam procurado para construir filiais de seus estabelecimentos dentro do parque, tornando o ambiente um local mais exclusivo. Outro caso em que Doria apresenta uma argumentação absurda atrás da outra é na venda de Interlagos. A principal “ameaça” do prefeito é que se o autódromo não for vendido, São Paulo poderá perder a Fórmula 1, e que o modelo de autódromo público está acabando no mundo. Dezesseis das vinte corridas de Fórmula 1 do ano, porém, ocorrem em autódromos públicos. Mais do que isto, o prefeito foi até Abu Dhabi gravar um vídeo para mostrar como uma gestão diferente e privada poderia trazer melhores resultados. O autódromo de Abu Dhabi é estatal. Além disso, o governo de lá não tem a preocupação que há por aqui, uma vez que a corrida serve muito mais como propaganda da riqueza local do que como evento esportivo. No ápice da sandice, Doria propõe a construção de um hotel no meio do autódromo de Interlagos. Por fim, o prefeito diz que a privatização permitiria que o autódromo fosse alugado para grupos de milionários que quisessem disputar corridas entre si, coisa que já acontece hoje. Num só vídeo, Doria demonstrou arrogância e desconhecimento tanto do lugar que administra quanto do lugar que visita. Eu, particularmente, sou contra a realização da Fórmula 1 em SP. Não acho que a cidade deva fornecer um subsídio tão grande ao setor hoteleiro. Sou também contra a privatização, acredito que o lugar deveria ser aberto ao público e transformado num parque. Mas o que mais me incomoda é a falta de debate, estimulada pelo tratamento de “pacotão” dado por Doria sobre o assunto. O prefeito chegou também a ir à China para oferecer os bens públicos paulistanos por lá. A maioria das empresas que o recebeu por lá é estatal.
Neste final de gestão também, Doria está apresentando uma das mais destrutivas mudanças de itinerários do transporte público da história da cidade, com o fim de um grande número de linhas, especialmente na periferia. Junto com a extinção do bilhete único semanal e com a quase extinção do bilhete único mensal, serão seus grandes legados nesta área. 
Aumento da velocidade nas marginais que resultou em aumento no número de mortos. Ação desastrada e mal planejada na cracolândia, contrariando a opinião de especialistas, espalhando os usuários pela cidade e dificultando seu tratamento. Fim do projeto da gestão anterior de incorporação de usuários de crack ao mercado de trabalho, colocando no lugar um mal sucedido projeto em parceria com o setor privado, que resultou em zero contratações após o período de experiência. Fim da Virada Cultural. Mudanças no premiado Plano Diretor de Haddad para agradar à especulação imobiliária. Redução de ciclovias. Queda no número de ações de zeladoria urbana. Nenhum projeto significativo na área educacional. Não cumprimento da promessa de contratação de mil médicos. Tudo isso em um ano e três meses.
Viagens. Doria já entrou na prefeitura sem vontade de ser prefeito. Queria usá-la apenas como um trampolim. Embarcando na onda antipetista, Doria tentou aproveitar o momento e saiu passeando pelo país e pelo mundo, tentando emplacar uma candidatura presidencial. Recebeu apoio entusiasmado dos seus amigos do setor empresarial, mas no fim não rolou. Sua incapacidade de gerar resultados derrubou sua jornada. Vai ter que se contentar com o governo do estado por um tempo. Vai apostar no marketing e na rejeição a Lula para tentar chegar ao Palácio dos Bandeirantes. Slogans fáceis e que não representam absolutamente nada, tipo "Cidade Linda". Em SP isto é suficiente, o eleitor paulista continua medíocre, muito provavelmente vai embarcar novamente na aventura Doria. Esta gestão entrará para a história como um momento triste em que um milionário improdutivo e egocêntrico foi capaz de manipular uma massa rancorosa em nome dos seus interesses pessoais. Resta aproveitar estes oito meses. 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Vida de cadastro


O dia 4 de dezembro foi importante para mim. Após algum tempo, eu voltaria ao mercado de trabalho e estava ansioso para o meu primeiro dia de emprego. Fui avisado de minha contratação na semana anterior, no exato momento em que estava indo visitar uma parente no hospital. Estava fazendo meu cadastro para poder subir ao quarto quando recebi a ligação da empresa, ordenando que eu levasse meus documentos de cadastro para contratação no dia seguinte. Tinha que ser no dia seguinte para dar tempo de realizar todos os cadastros, me disse o funcionário do RH com voz de felicidade. Terminei meu cadastro hospitalar, subi, dei um beijo em minha parente e fui atrás dos meus documentos. Alguns deles eu ainda não tinha impresso. Como não tenho impressora, parei em uma lan house. “O senhor já tem cadastro?”, perguntou-me a atendente. “Não”, respondi eu, já procurando alguma máquina vazia. “Preciso de um documento com foto para cadastro e liberação de máquina”. Entreguei-lhe o documento solicitado e criei uma senha de 8 dígitos, com letra maiúscula, minúscula, número e símbolo, fazendo todo o esforço para não esquecer qual era esta senha recém criada nos oito segundos que separavam a menina do cadastro e a máquina. Imprimi meus documentos, tirei alguns xerox e voltei todo feliz para casa, com todos os documentos de cadastro já preparados. Fiz o caminho entre a lan house e meu apartamento conferindo a documentação para que não tivesse nenhum problema cadastral. Chegando em meu apartamento, fui abordado pelo porteiro, que me disse que eles estavam fazendo o recadastro de todos os moradores. Seria necessário que eu fosse até outro bloco do prédio com um documento com foto para, em seguida, cadastrar minha biometria. Como eu já estava no pique, fui naquele momento mesmo fazer este cadastro. Saindo de lá, a fome bateu e resolvi passar no mercado para comprar qualquer coisa para comer. Peguei uma bolacha, pão e salame e fui ao caixa. “O senhor já tem cadastro aqui?”, perguntou-me a atendente. “O senhor pode ganhar descontos se o fizer, tudo que preciso é de um documento com foto”. E lá estava eu, fazendo meu cadastro no mercado. Voltando para casa, enquanto comia um sanduíche com salame, entrei em algumas notícias que pediam o meu cadastro para que eu as continuasse lendo. Quem não era cadastrado podia ler apenas as cinco primeiras linhas. “Pelo menos posso usar o facebook para me cadastrar, já ganho um tempo”.
No dia seguinte, minha missão era levar meus documentos para cadastro na firma. Meu plano era fazer os cadastros necessários para começar a trabalhar de manhã e, durante à tarde, ir até a SP Trans para fazer o meu cadastro para usar bilhete único mensal. Para evitar fraude, era necessário levar um documento com foto para ter o benefício. Cheguei à minha futura firma e fiz o primeiro cadastro na portaria do prédio. Após ver meu documento com foto, a mulher da portaria me alertou que quando eu começasse a trabalhar efetivamente seria necessária a realização de outro cadastro. O cadastro de visitante é diferente do cadastro de funcionário, faz sentido. Passei a catraca, subi o elevador e encontrei o rapaz que faria meu cadastro na firma. Entreguei-lhe os documentos, examinados minuciosamente, e tive meu cadastro pré-aprovado. Deveria procura-lo no meu primeiro dia de trabalho para que o meu cadastro fosse liberado e finalizado. Peguei o elevador, desci, mas não consegui sair pela catraca inicialmente. Houve um erro no meu cadastro de visitante, o cartão que me deram liberava apenas a entrada e não a saída. Erro corrigido, passei numa loja de chocolate que tinha na frente da minha futura firma para sustentar meu vício. “Você não quer se cadastrar para ser parte do nosso clube do café?”, perguntou-me a atendente da loja no momento em que eu pagava minha conta. “Não tomo café”, respondi enquanto estranhava o fato de que era necessário um cadastro para tomar café. “CPF na nota?”, ela me perguntou. “Não, estou com um problema no cadastro da nota fiscal paulista”, eu respondi. Saí de lá direto para a SP Trans. Entreguei uma cópia do meu documento com foto para cadastro do bilhete único, que ficaria pronto depois de alguns dias. Isto era sexta, voltei para casa para um merecido período de dois dias sem cadastros até o início de minha nova experiência profissional na segunda.
Chegando animado e bem vestido ao novo trabalho, fui informado que ainda não podia entrar. A pessoa que liberaria o meu cadastro ainda não havia chegado e eu tinha que espera-la. Nisso, meu novo chefe chegou e liberou o meu cadastro. Fui apresentado aos meus novos colegas e à minha nova máquina. Para usá-la, seria necessário que eu fosse até TI para realizar o meu cadastro. Em seguida, fui instruído a ir até o RH novamente para que realizasse meus cadastros para uso de crachá e do site da ADP. Lá, descobri que os dois cadastros eram feitos por pessoas diferentes. Fiz os dois cadastros e em seguida preenchi algumas fichas para cadastro no convênio de saúde. Fui informado também que a empresa só realiza pagamentos em um banco determinado no qual eu não tinha conta. Por isso, deram-me uma ficha para que eu fosse até a agência bancária mais próxima e lá fizesse meu cadastro. Quando voltei ao departamento, descobri que meu cadastro em TI ainda não havia sido feito, por isso tinha tempo de já ir ao banco realizar o meu cadastro por lá. Chegando à agência, abri minha conta e recebi as instruções de como deveria realizar o meu cadastro para uso dos serviços na internet. Também recebi um cartão provisório, o cartão permanente viria depois de alguns dias, quando eu deveria retornar à agência para cadastrá-lo. Retornando à firma, fui informado que TI tinha 24 horas úteis para realizar meu cadastro, então basicamente eu não podia fazer nada naquele momento, sem cadastro. Vendo aquilo, uma das pessoas do meu departamento perguntou se eu podia ajuda-lo em algumas coisas.  Eu respondi que sim, ele me passou seu usuário e senha e eu o ajudei a fazer alguns cadastros que estavam pendentes. A empresa tem restaurante no local. Na hora do almoço, quase não comi. Aparentemente, meu cadastro não estava completo no restaurante. Eu deveria ir até o RH pedir que a pessoa responsável por este cadastro fizesse esta última liberação. “Desta vez vou deixar passar”, disse a mulher no caixa. “Não dá pra fazer nada sem cadastro”, disse-me algum colega. Fui ao RH, atualizei meu cadastro para o restaurante, passei a tarde cadastrando outras pessoas e fui embora ainda sem ter cadastro para usar minha máquina. “Amanhã, com meus cadastros feitos, já começo a trabalhar de verdade”, pensei eu. “É verdade, não dá pra fazer nada sem cadastro”.

Saí do trabalho, passei na farmácia para comprar um remédio para minha parente que havia acabado de sair do hospital, cadastrei-me lá para ganhar desconto e voltei pra casa. Fiz meu cadastro para usar minha conta pela internet e peguei no sono. Por oito horas, não fiz nenhum cadastro. Talvez, em algum momento, será necessário fazer um cadastro para poder fazer isto também.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Temer e o voto do medo


Somos uma sociedade com medo. Esta palavra será o grande lema das eleições de 2018, caso elas realmente ocorram. Todos estão com medo de algo. Quem tem medo odeia. Queremos eliminar aquilo do que temos medo. Não à toa as pessoas que têm medo e ódio de Lula aplaudiram sua condenação sem provas. Não à toa uma parcela significativa da população aplaude a intervenção federal no Rio. Elas têm medo e querem eliminar aquilo do que têm medo. A qualquer custo. O medo é maior do que o respeito à lei ou ao próximo.
Somos uma sociedade consumista. A procura da felicidade se dá quase sempre pelo consumo de um bem ou de um serviço. Pagamos por privilégios. A real e principal causa da nossa violência é o consumismo. Mas ninguém fala sobre isto. Manter-nos sedentos por consumir sempre algo que ainda não temos é fundamental para manter a sociedade girando. Como em Admirável Mundo Novo, não reaproveite nada. A publicidade infantil nos ensinou desde pequeno a não gostarmos do que somos e a mudarmos isto comprando algo. É como uma doutrinação. Queira o melhor brinquedo, a melhor roupa. Depois o melhor carro, o melhor relógio. Comprar é ser bem-sucedido. Quem não tem é perdedor. É melhor viver uma vida curta desfrutando do que há de melhor ou viver uma vida longa se sentindo um perdedor. O Brasil melhorou muito seus dados sociais a partir de 1994 e especialmente após 2002. Esta melhora não resultou em diminuição da violência. Pelo contrário, a inclusão a partir da expansão do consumo da era Lula só viu aumentar os casos de violência. O Ceará, estado que mais evoluiu em educação na última década, tendo 77 das 100 melhores escolas públicas do país, passa por um surto de violência. Uma falha da esquerda é não enxergar que a violência brasileira não é totalmente fruto de questões sociais, embora, obviamente, ela tenha grande importância.
Somos uma sociedade desigual. Somos formados com uma forte herança escravista, com uma pequena elite preguiçosa e sanguessuga explorando uma grande massa acostumada a ser explorada. Muitos com pouco, poucos com muito. Aqueles, porém, não questionam o sistema que os explora, sonhando um dia assumir o papel de explorador. Como numa novela, em que a mocinha boazinha ganha como prêmio no final a riqueza. A mídia faz seu papel. Estimula o consumo e incentiva os valores de uma sociedade desigual. O programa da apresentadora loira e linda quase sempre tem em seu intervalo uma propaganda de tinta de cabelo ou de remédio para emagrecimento. O jornal que fala sobre as mazelas da saúde pública quase sempre tem alguma propaganda de plano de saúde. O mesmo com educação e outras coisas. Quem sustenta a mídia é a publicidade. Ela depende do nosso consumismo e nos faz violentos.
Somos uma sociedade dependente da violência. O sentimento de insegurança gera empregos. Seguradoras são hoje anunciantes importantes. O impacto, digamos, num estado quase utópico, do fim da violência seria gigantesco em nossa economia. É fundamental combate-la, ou ao menos fingir que se está combatendo, mas mantendo o cidadão comum com medo. Tanques na rua cumprem esta função. Melhoram a sensação de segurança. Mas ninguém vai deixar de pagar seguro do carro por causa disso.

Medo e consumismo. Intervenção militar e crescimento do PIB. O estado visto como alguém que nos protege daqueles que temos medo e que me ajuda a comprar mais bugiganga. Destrói-se a Previdência para agradar ao mercado financeiro. Temer consegue ler nossa sociedade como ninguém. Não duvidem de sua capacidade de fazer política. Sonha com a reeleição e sabe que o medo é das melhores armas para atrair a sociedade que hoje o detesta. Atrai os bolsonetes que querem sair matando todo mundo e os barões do mercado que temem Lula. Mesmo que para isto tenha que brincar com o pouco que nos resta de democracia. O fracasso do Exército significará uma vergonha para nossas Forças Armadas. O sucesso, a volta de uma ideia monstruosa de que o Exército é capaz de solucionar os problemas que a sociedade civil não soube resolver. O mesmo sentimento que gerou a sucessão de golpes militares que tivemos em nossa história. Sociedades com medo e ódio não se importam com a democracia. O Brasil normalmente é assim. O que vivemos entre 1994 e 2014 foi uma breve exceção em nossa história. Temer é a face medíocre de uma era medíocre. Não duvidem que o Fora, Temer seja respondido por um Fica, Temer em outubro.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Os perigos e a demagogia da intervenção federal no Rio


A semana de Carnaval estava ruim para Michel Temer. A votação da Reforma da Previdência, que o presidente considera como sendo seu possível principal “legado”, caminhava para uma derrota. Mesmo abrindo os cofres para deputados “indecisos”, Temer rumava ao fracasso em uma votação tão impopular num ano eleitoral. Ao mesmo tempo, o Rio vivia uma onda de violência que até o momento não se sabe realmente se foi tão grande quanto o que foi alardeado pela grande mídia, principalmente na Globo. Até o momento, o único dado que li sobre o assunto diz que houve um aumento de 4% nos registros de violência no Rio no período entre 2017 e 2018. Não que isto seja insignificante, mas a sensação é de que foi bem mais se assistirmos apenas os noticiários globais. O objetivo maior me parece ser atacar o arquirrival Marcelo Crivella, ligado à Igreja Universal (longe de mim defender Crivella, aliás, sua postura de abandonar o Rio durante o maior evento da cidade é completamente irresponsável e mostra o enorme erro cometido pela população carioca em eleger um fanático religioso para a Prefeitura). Vendo o noticiário, Temer convocou o exército e fez aquilo que nenhum presidente, inclusive os legitimados pelas urnas, tiveram coragem de fazer em outros momentos de crise desde 1988: decretou uma intervenção federal.
A intervenção ajuda Temer por dois motivos. Adia a votação da Reforma, dando a Temer mais tempo para convencer ($$$$) mais deputados a votarem aprovando a Reforma, e aumenta a popularidade do presidente no curto prazo. Uma população má informada e com medo aprova este tipo de medida, “ao menos ele está fazendo algo”. Temer inclusive sonha com a reeleição e o histórico situacionista da população brasileira não pode desconsiderar completamente esta chance.
A intervenção prejudica o país por vários motivos. Citarei apenas alguns deles. O primeiro é mostrar como nosso governo não tem nenhum plano de longo prazo para resolver o problema. As outras vezes em que o Exército foi chamado para ajudar na segurança pública sem que houvesse intervenção, como ocorreu na Copa e nas Olimpíadas, não deixaram legado algum à segurança pública da cidade. Pelo contrário, a situação só piorou depois disso.
Em segundo lugar, não se incentiva um debate que mostre qual a parcela de responsabilidade do governo federal na situação em que se encontra o Rio de Janeiro. A culpa pela entrada de armas contrabandeadas em nosso território, por exemplo, é da Polícia Federal e do Exército, e aparentemente nada é feito e discutido sobre este assunto. Também não se discute a responsabilidade gigantesca que o governo federal tem ao ter forçado o estado do Rio de Janeiro a adotar uma agressiva política de austeridade fiscal que resultou em cortes na área de segurança pública.
Em terceiro lugar, como já comprovado pelas ações anteriores, o Exército não tem capacidade e conhecimento para lidar com segurança pública municipal. O que exatamente o Exército fará? Simplesmente vai ter tanque nas ruas? Qual o conhecimento que este interventor (nome assustador) tem sobre este assunto? Por que o governo federal não ajuda financeiramente da polícia carioca ao invés de chamar o exército para intervir? Até o momento não li nada a respeito.
Em quarto lugar, e para mim o mais perigoso erro, é que num momento de extrema fragilidade democrática, com um governo fajuto fruto de um impeachment picareta, dá-se força a um sentimento que existiu no Brasil até 1964, aquele de que o Exército é a solução para nossos problemas. Em todas as vezes em que as Forças Armadas interviram politicamente em nossa história, e não foram poucas, elas foram em algum momento convocadas por parte da sociedade civil para fazê-lo. Estávamos livres disso de 1985 até as manifestações dos patos contra Dilma, em que pela primeira vez desde o fim da ditadura um grande número de pessoas saiu às ruas pedindo a volta do Regime Militar. É o renascimento de um monstro adormecido, que tantas tragédias causou em nossa história.

O Brasil vive um momento de grande burrice. Ninguém reflete sobre nada. O Rio de Janeiro foi em 2017 apenas a 23ª capital mais violenta do país. VIGÉSIMA TERCEIRA. Se for para fazer intervenção, por que não em outros lugares? Por que não dá o mesmo ibope que dá a intervenção no Rio. Num momento em que acabamos de ver um bando de lunáticos e raivosos saindo às ruas vestindo verde-e-amarelo, bradando gritos nacionalistas e fascistas, pedindo impeachment sem crime (e conseguindo) e querendo intervenção militar, este ato circense de Temer só dá mais força para este grupo. A intervenção é um ato populista e autoritário, que não trará resultado efetivo algum. O Brasil não discute nada. E brinca com o perigo. Caminhamos para o abismo.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Bolsonaro, o mercado financeiro e o genocídio


 Jair Bolsonaro foi convidado para dar uma palestra a mais de mil executivos do mercado financeiro em evento patrocinado pelo banco BTG Pactual. Aquele que era presidido por André Esteves. Se você não lembra quem é ele, dá uma pesquisada no Google depois de ler este texto. Questionado sobre qual seria sua solução para a questão da criminalidade na Rocinha, o candidato à presidência disse que mandaria um helicóptero jogar panfletos dizendo que os bandidos tinham seis horas para se entregar. Após este período, sairia metralhando todo mundo que continuava lá dentro. A plateia riu e aplaudiu. A plateia riu e aplaudiu. Repetindo, a plateia riu e aplaudiu.
Em seu livro “Gostaríamos de informa-los que amanhã seremos mortos com nossas famílias”, sobre o genocídio dos tutsis em Ruanda em 1994, o autor Phillip Gourevitch tenta mostrar que todo genocídio é resultado de um processo histórico. Anos de retiradas de direitos resultam em um momento em que aqueles que são oprimidos restam apenas com a vida como direito, sendo o próximo e último passo “lógico” o extermínio. Mais do que isto, é um processo que tanto opressor como oprimido enxerga como natural. Hannah Arendt em “Origens do Totalitarismo” apresenta uma visão semelhante do que levou a população europeia a assistir passivamente, muitas vezes inclusive contribuindo, ao holocausto e porque não houve tanta resistência judaica ao extermínio que estava ocorrendo. Segundo ela, séculos de maus tratos levaram a própria população judaica a enxergar aquilo que ocorria com certa naturalidade.
Nunca antes no Brasil o ódio e o preconceito fizeram tanta parte do “debate” político. Coloco debate entre aspas porque acredito que seja impossível algum tipo de diálogo útil e produtivo com pessoas como Bolsonaro. A parte mais perigosa sobre o que acontece, o sintoma mais grave, é a forma natural como aceitamos o que é dito por ele e principalmente o forte apoio que ele encontra em diversos setores sociais. Sem Lula, tirado da corrida presidencial por um processo fajuto, Bolsonaro lidera a corrida eleitoral. Releia o primeiro parágrafo e reflita que é este candidato que lidera atualmente a disputa e que há uma chance real deste candidato ir ao segundo turno. E ninguém parece estar muito preocupado com isto. Num passado não muito distante, as frases do deputado sobre o estupro da deputada Maria do Rosário ou reclamando que a ditadura deveria ter matado FHC geravam ao menos declarações de repúdio na grande mídia e nos partidos. A frase com a proposta sobre o genocídio do líder nas campanhas presidenciais não gerou repercussão. A sociedade naturalizou o sucesso do fascismo. Talvez algum destes mil que riram e aplaudiram estarão em algum programa da Globo News dando dicas de economia, aliás.
O mesmo mercado financeiro que aplaudiu e riu da proposta de genocídio de Bolsonaro comemorou a condenação de Lula. Fará tudo para controlar o processo eleitoral. Responderá mal a qualquer avanço de um candidato progressista, rirá e aplaudirá do progresso do candidato fascista. Dinheiro e fascismo sempre andaram lado a lado. Ele ainda não prefere o fascista, mas já se mostra bem disposto a ir com ele até o fim. O mercado financeiro não dá muita importância para ética. Basta ver que as ações de produtoras de armas nos EUA sempre sobem quando assassinatos em massa ocorrem.
Todos nós conhecemos pessoas que pensam como Bolsonaro. Já ouvi diversas falando este tipo de barbaridades. Elas têm ódio e meio que se encontraram através das redes sociais e no processo de impeachment de Dilma. Víamos repetidamente gritos deste tipo ou outros pedindo intervenção militar nas passeatas do verde-e-amarelo de 2015 e 2016. A grande mídia repetia que eram passeatas “pacíficas”. Pois bem, as pessoas “pacíficas” encontraram a pessoa capaz de expor e saciar todo seu ódio. No fundo o que elas querem é um “Estado psicopata”.

Medo, consumismo e preconceito. Período assustador. Repetindo o que o candidato que lidera as pesquisas sem Lula disse num evento para o mercado financeiro. Questionado sobre qual seria sua solução para a questão da criminalidade na Rocinha, o candidato à presidência disse que mandaria um helicóptero jogar panfletos dizendo que os bandidos tinham seis horas para se entregar. Após este período, sairia metralhando todo mundo que continuava lá dentro. A plateia riu e aplaudiu. A plateia riu e aplaudiu. Repetindo, a plateia riu e aplaudiu.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Como o Brasil me transformou em petralha


Nunca votei no PT num primeiro turno de eleição presidencial. Minha primeira ida às urnas foi em 2002 e de lá pra cá, mesmo no auge da era Lula, em que ele tinha mais de 80% de popularidade, em nenhuma vez apertei 13 na urna num primeiro turno. Hoje, apesar de gostar muito de Ciro Gomes, tenho sentido uma enorme disposição de votar no PT num primeiro turno presidencial, seja em Lula ou em quem ele apoiar. O motivo é simples. O processo vivido no país a partir da incapacidade tucana em reconhecer a vitória de Dilma Rousseff em 2014 me transformou num petralha.
Sempre enxerguei qualidades e defeitos na gestão petista. Avançamos como país, e muito, no combate à fome, à desigualdade e em educação. Saímos do mapa da extrema pobreza e um número gigantesco de pessoas teve acesso ao ensino superior. Pioramos nas áreas de violência pública e de saúde. Na primeira, com participação óbvia do governo tucano de SP, que assistiu ao surgimento da maior facção criminosa da história do país dentro dos presídios por ela geridos. A maior falha petista nesta área, porém, está no incentivo ao consumismo, maior causa de nossa violência. Não à toa os dados deste assunto continuaram piorando enquanto quase todos os dados sociais evoluíam. Fora isto, também estou longe de ser um cara estatista. Acredito, por exemplo, que o processo de privatizações das rodovias estaduais promovido pela gestão tucana em SP é um grande sucesso.
Independente de erros e acertos, sou acima de tudo um democrata. Acho que todas as opiniões sobre erros e acertos em políticas públicas e sobre participação maior ou menor do Estado na economia são válidas. Respeito a vontade das urnas e o tipo de gestão por ela escolhido. Acredito também que a vontade da maioria sobre estes assuntos deve ser sempre respeitada, cabendo ao Poder Judiciário intervir nos outros poderes apenas para garantir direitos a minorias. Impedir uma ditadura da maioria, como diria Tocqueville.
O meu processo de petralhização (ou petralização, não sei se ponho h ou não, mas acho isso indiferente) começou com as eleições de 2014. A partir do momento em que o PSDB escolheu Aécio Neves como seu candidato, ficou muito claro que a prioridade naquele momento seria impedir sua vitória. Todo mundo sabia quem Aécio era. Sim, todo mundo. As pessoas que votaram nele para “combater a corrupção” são todas picaretas. Sim, todas. Se você argumentava que o Brasil estava indo para o caminho errado economicamente com Dilma, você merece consideração. Agora, se você está lendo este texto e usava este argumento contra a corrupção para votar em Aécio, você é picareta. Todo mundo sabia que Aécio era um playboy irresponsável, corrupto e de tendências autoritárias, que perseguiu diversos jornalistas em seu estado, que governava MG enquanto morava no Leblon. Fui de Marina no primeiro turno, apenas para tentar impedir Aécio de chegar ao segundo turno, e fui de Dilma no segundo, com toda convicção. A incapacidade de Aécio em aceitar a derrota e a forma como ele pôs fogo no país após o pleito mostraram que a minha análise sobre o caráter deste triste personagem da política brasileira estava correta.
Uma semana após a eleição, um pequeno grupo de jovens reacionários, bradando contra uma fraude que só existiu na cabeça deles, marcou sua primeira passeata pedindo o impeachment de Dilma Rousseff. Isto antes mesmo dela assumir. A mídia passou a incentivar estes jovens lunáticos, dando espaço para um deles inclusive em colunas “jornalísticas”. O PSDB abriu seu espaço para estes jovens enquanto o Poder Judiciário passou a ser idolatrado pela mídia. “Mais 4 anos de Dilma não dá”. E começou a guerra.
Dois meses e meio após a posse de Dilma, o movimento dos jovens lunáticos levaria mais de um milhão de pessoas para as ruas de São Paulo num domingo. A mídia passou a semana inteira convocando pessoas para as manifestações, “pacíficas e repletas de famílias”, como adoravam repetir os repórteres. Sem violência, segundo eles. Com placas defendendo a volta de ditadura e da tortura. Intervenção militar já. Algumas pediam a volta da monarquia. Outras placas traziam suásticas desenhadas. Manifestantes chamavam Dilma de todos os nomes. Pediam pena de morte, agrediam quem vestia vermelho, xingavam quem pensasse diferente. Para a mídia, isto não era violência.
O Poder Judiciário, único não-democrático e mais podre dos poderes, era cada vez mais endeusado. Surgiu um “herói”, o juiz que acusava e prendia os petistas corruptos. Um juiz que se põe acima da lei e ganha prêmios por isso. Um pequeno tirano. Enquanto os políticos de aluguel abandonavam o governo Dilma e já ensaiavam como voltar ao governo após sua saída, o juiz “herói” descumpria a lei e era idolatrado por isso. Realizou a condução coercitiva de Lula sem que este fosse anteriormente convocado para depor e, na talvez mais absurda medida deste processo todo, divulgou na mídia ilegalmente conversas telefônicas dele com a presidenta da República. Quem julga o juiz “herói”, afinal? Tudo isto na semana anterior à outra passeata gigantesca agendada pelos jovens lunáticos. Nesta mesma semana, uma revista semanal de informação trazia na capa a delação premiada de Delcídio Amaral, ex-senador petista, em que ele contava “tudo”. Um ano depois, o “tudo” se mostrou nada e a delação foi cancelada, mas serviu para inflar a classe média novamente. Lá estavam eles na Avenida Paulista de novo, vestindo verde-e-amarelo na passeata “pacífica” promovida pelos jovens lunáticos. Jair Bolsonaro, deputado fascista, foi ovacionado ao chegar ao local. Em seu voto na sessão de impeachment, homenageou o torturador que havia torturado Dilma na juventude. Isto numa sessão presidida por Eduardo Cunha, possivelmente a pessoa mais corrupta de todo o processo. O malvado favorito dos jovens lunáticos. Quem apoiou o impeachment apoiou tudo isto.
Passado o impeachment, era necessário impedir que Lula voltasse dois anos e meio depois. Legitimar o golpe. A mídia fez seu papel. Lula virou nas manchetes “o maior ladrão da história do mundo em todos os tempos”. O uso de manchetes mentirosas contra ele não é novidade, aliás. Quantas vezes não lemos ou ouvimos que ele estava preparando um terceiro mandato em 2010, ou que ele estava aparelhando o Judiciário (mesmo tendo indicado Joaquim Barbosa, que condenou vários petistas no Mensalão) ou que ele perseguia jornalistas (mesmo que nomes contrários a ele tenham efetivamente ganhado espaço na mídia por criticá-lo, como Diogo Mainardi, Rachel Sheherazade, Danilo Gentili, entre outros). E a principal, que seu filho seria dono da Friboi. Aquela que gravou Temer negociando e Aécio recebendo propina. A grande mídia brasileira foi na gestão Lula a precursora das Fake News, a arma hoje mais usada por bolsonetes e pelos jovens lunáticos.
Lula foi condenado pelo juiz “herói”. Por um apartamento que não é seu, por causa de uma reforma feita por uma construtora que queria vender este apartamento para ele. Sem provas, só com convicção. Um testemunho passou a servir para provar a posse de um imóvel. Num processo que gerou diversos debates no meio jurídico, Lula foi condenado por unanimidade na segunda instância, com concordância inclusive sobre a pena. Doze anos e um mês. Qualquer discordância poderia atrasar o processo. É preciso tirar Lula da jogada logo.
Um quinto do país votaria hoje em Bolsonaro, um candidato que defende a prática da tortura e diz que homossexualismo é uma doença que se combate com surra na infância. O mercado financeiro já se prepara para apoiá-lo caso não consiga emplacar o nome do governador tucano de SP citado no primeiro parágrafo, aquele da facção criminosa que hoje assusta o país. Já tentaram apostar num apresentador de TV, famoso por ser amigo de Aécio. Antes apostaram num lobista debilóide que, graças a um discurso de ódio, chegou à prefeitura da cidade que lotou a sua principal avenida seguindo os jovens lunáticos, que, aliás, hoje perseguem artistas e professores.

Veja a galera que odeia Lula e o PT. Olhe para a cara deles. Veja o rancor contra tudo que melhorou. Veja a forma como eles chamam todos de vagabundos, como expõem preconceitos, como só sabem argumentar xingando e gritando. Sou diferente deles e não quero estar ao lado dessa gente em situação alguma. Virei petralha, com orgulho!

sábado, 27 de janeiro de 2018

O POBRE NEOLIBERAL


Nos últimos dias passei a fazer uma análise do meu universo, ou seja, as pessoas que fazem parte do meu convívio familiar e social. Tentei entender, principalmente, os pensamentos antagonistas. Cheguei à infeliz conclusão de que, no fundo, não há pensamento.

As minhas percepções quanto ao comportamento são extensas. Impossível ser curto nessa análise, tentarei também não ser grosso. O trabalho perpetrado pela mídia plutocrática brasileira é digno de um Pulitzer na categoria (des) serviço público, já que o pensamento liberal está completamente implementado em nossa sociedade.
Principalmente a classe média assalariada acolheu sem restrições o conceito neoliberal de meritocracia e se acha totalmente responsável pelo seu destino, quando na verdade não é. A elite conseguiu, com maestria, convencer as pessoas que se o sucesso não é alcançado isso é culpa do estado ou de si próprio. Convenceram as pessoas de que a corrupção governamental é a peste de nosso país, quando na verdade vivemos uma democracia de cartas marcadas, onde o poder do capital elege legisladores que não são mais do que marionetes para o interesse privado. Os grandes empresários brasileiros pagam aos seus políticos vassalos apenas uma comissão sobre os seus ganhos e a massa de manobra, auto-intitulada esclarecida, atribui mais peso ao comissionado que ao patrão.
Claro que a corrupção é um problema. O elegido não deve colocar interesses pessoais ou de outrem à frente do coletivo, mas o capital que rege a democracia elege e destrói. Não há salvação fora da educação social e da conseqüente percepção da consciência de classe.

Somos livres para decidir o que queremos ser. Se atribuímos mais valor aos conceitos de esquerda ou de direita, pouco importa. Valioso é entender que a sociedade é formada por castas, observar em que camada estamos, e a partir daí formar um juízo de valor sobre o que é melhor para a as nossas posições atuais. O que ocorre no Brasil é uma supressão do conhecimento sobre teorias econômicas e da luta de classes.

A classe média assalariada se enxerga pagadora de tributos excessivos e sustentadora de quem está abaixo. Enxerga que dá ao estado muito mais do que recebe. Há nesse extrato da sociedade uma glamorização do empresário e da livre iniciativa, um clamor pela redução dos impostos e da interferência estatal, são contra o recolhimento de FGTS e os impostos sobre os produtos. Estamos falando de pessoas que ganham entre 30 e 60 mil reais anuais. Se você possui essa gama de pensamentos, pode ser considerado um pobre neoliberal. Mais do que isso, a elite brasileira conseguiu, antes de Donald Trump, erguer o seu muro contra pobres, um muro formado de outros pobres de panela na mão. O muro da classe média defende a elite da intervenção do estado, impostos sobre grandes fortunas, impostos sobre grandes heranças, leis trabalhistas, direitos previdenciários, enfim, defende ricos de tudo o que bom para pobres, seus iguais.
Ser liberal é uma opção, já nascer em uma família privilegiada ou necessitada, não. Essa segunda não é uma variável, já que não é opcional ser pobre ou rico, e é mais inteligente que você monte o seu plano de ação a partir de preceitos imutáveis. Não há na nossa educação base o ensino de economia, seja macro ou micro. O pobre neoliberal, que em geral estudou em escola pública ou na particular com muito esforço dos pais, não sabe o que é um modelo econômico, e isso é a supressão de conhecimento.

ONU e, pasmem, o FMI admitem que o modelo liberal é ineficiente contra a má distribuição de renda e não ajuda em nada a evolução dos países em desenvolvimento, como o Brasil. É claro que a política de estado mínimo privilegia apenas os donos dos meios de produção e da geração de capital, aumentando a desigualdade. A aplicação dos preceitos de Milton Friedman nos países ocidentais desde a década de 70 se mostrou ineficaz, aos países em desenvolvimento, no que tange o crescimento sustentado e a distribuição de riqueza.
Sendo assim, se você não detém os meios de produção, ou seja, se você não tem empresa e funcionários, e se você ganha pouco, você depende da atuação do estado para garantir as suas necessidades e direitos. Levantar a bandeira do liberalismo fará de você tão incongruente quanto um peixe que pede por menos água no rio. Se mesmo assim, sabendo que o liberalismo não serve para um país como o Brasil, e entendendo que você é dependente do estado, a sua escolha for por João Dória Jr, é válido, é democrático, é direito e é burro.

Triste mesmo é ver as pessoas assemelhadas a bovinos no pré-abate. Caminhando em um corredor de falácias e propaganda midiática da meritocracia, prontas para terem seus direitos e conquistas surrupiados por pessoas que só pensam em acumular.
Voltando para o meu mundo, a falta de consciência de classe impera nas análises do cenário político atual. Vejo amigos que passaram a adolescência escutando Racionais Mc’s e agora abraçam patos de borracha em frente à FIESP, o analfabetismo funcional da juventude se reflete nas atitudes do homem atual, e a incapacidade de entender a fundo a poesia da periferia transforma um preto tipo A num neguinho.

Vejo amigos que surfaram na onda de prosperidade do governo Lula, que os deu a possibilidade de ganhar hoje mais o que seus pais jamais receberam, mas agora repetem apapagaiados o discurso elitista de estado mínimo, privatizações e PT nunca mais. Boa parte de meus amigos é contra o recolhimento do FGTS, mas possuem apartamento financiado pela Caixa. Conheço pessoas que já fizeram tratamentos caríssimos contra o câncer, ou que conseguiram remédios de alto custo, todos pelo SUS, mas que vomitam ignorância ao falar da carga tributária. Imaginem o pobre neoliberal, sem o SUS, tendo que pagar quimioterapia, quanto do seu salário anual de 50 mil reais, já sem os demonizados impostos, seria utilizado para tal?

Parte da minha família, negra, é contra cotas. Engoliu e replicou o argumento falacioso conservador de que as cotas reforçam o preconceito, justamente como age um um certo vereador da capital . Não percebem que o passado escravo da pele é que formou essa sociedade 53% negra, mas que nas cadeias representa  67%. Antes dos programas governamentais para ingresso de pobres e negros nas universidades, apenas 5,5% dos jovens pretos (18 – 24 anos) freqüentavam a faculdade, isso em 2005. Em 10 anos esse número foi para 12,8%. Comparativamente, 17,8% dos jovens brancos, de mesma faixa etária, eram universitários em 2005, percentual que saltou para 26,5% em 2015. Ao avaliarmos que temos o dobro de pretos nas cadeias e o dobro de brancos nas universidades, podemos concluir que as cotas são correções históricas, mais que justas.

Os pobres neoliberais confundem a cobrança pela eficiência estatal com a destruição do estado. Jogar luz sobre esses aspectos deveria ser obrigação da parcela formadora de opinião da sociedade. O desserviço da imprensa brasileira ao bem estar social é gritante, pois essas grandes empresas particulares de concessão pública reportam à sociedade apenas os fatos pertinentes ao seu interesse econômico.

O desafio é fazer a grande massa entender que empresário não é gerador de empregos, mas sim gerador de lucro, e que se ele tiver a oportunidade de aumentar seus rendimentos em 20% ao custo de trocar todos os seus funcionários por máquinas, ele o fará.

Pobres neoliberais: Estamos em uma luta de classes, você está correndo para o lado errado, será golpeado pelas costas, cairá olhando em meus olhos, ainda defendendo o seu algoz.